NARRAÇÃO

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

36 - A CABAÇA UNIVERSAL


A cabaça é um fruto do gênero do melão ou da abóbora, cuja casca grossa o torna útil para os homens, depois que se lhe retirar a polpa macia. Serve como jarro de água ou, se for cheio com sementes secas, dá para chocalho musical. Em alguns templos colocam uma cabaça redonda cortada ao meio horizontalmente, para receber pequenas oferendas ou objetos simbólicos. O fruto é muitas vezes decorado com gravuras, em ambas as metades, com enorme variedade de desenhos bem como figuras de seres humanos, animais e répteis.

Em Abomei, O Universo é considerado como uma esfera semelhante à cabaça redonda, e o horizonte fica nos bordos da união das metades do fruto. É aí que céu e mar se juntam, num local hipotético inacessível ao homem. A terra é considerada plana, flutuando dentro da grande esfera, tal como uma cabaça pequena pode flutuar dentro da maior. Dentro da esfera estão as águas, não só no horizonte como por debaixo da Terra. Este aspecto particular é explicado pelo fato de que se alguém fura o solo sempre descobre água, de modo que esta tem de rodear toda a terra. O Sol, a Lua e as estrelas movem-se na metade superior da cabaça.

Quando Deus criou todas as coisas, a sua primeira preocupação foi formar a Terra, fixando os limites das águas e unindo bem os bordos da cabaça. Uma cobra divina enrolou-se à volta da Terra, para agregar e manter firme, e levou Deus a vários lugares, estabelecendo a ordem e sustentando todas as coisas com os seus movimentos essenciais.

 

Fonte: Mito africano de origem Abomei antiga capital da República Popular de Benin, registrado por Parrinder em África.

A narrativa da Cabaça Universal tem origem no reino do Daomé (atual Benim, África Ocidental), em particular entre os povos Fons, que relacionam a cosmogonia ao símbolo da cabaça, fruto sagrado e polivalente no quotidiano africano. (grifo nosso)

 

 MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

Este mito ensina que o Universo, tal como a cabaça, é ao mesmo tempo frágil e resistente, exigindo equilíbrio para se manter inteiro. A metáfora da cobra divina que sustenta a Terra mostra que a vida depende de harmonia, cuidado e interdependência, assim como a cabaça, que só serve plenamente quando bem utilizada. A lição africana é clara: o homem deve respeitar os limites da natureza e viver em comunhão com os elementos, pois, tal como a Terra dentro da cabaça, a humanidade flutua num espaço maior que só se sustenta pela ordem e pelo respeito à criação.

 

 

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