NARRAÇÃO

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

22 - O ELEFANTE QUE NÃO OUVIA CONSELHOS

 

Provérbio: “Quem fecha os ouvidos ao conselho, abre o corpo ao sofrimento.”

 

Nas vastas planícies de Ngola, onde a relva dança ao vento como ondas verdes e os baobás se erguem como guardiões do tempo, vivia um jovem elefante chamado N’Dumbo.

N’Dumbo era imenso, mesmo para sua idade. Suas presas brilhavam como marfim recém-polido e suas patas levantavam poeira em cada passo. Os animais da savana o admiravam pela força, mas também o temiam por causa do seu temperamento.

Sempre que alguém lhe dava um conselho, ele bufava e dizia:
— Eu sou o maior, eu sou o mais forte. O que pode uma gazela, uma hiena ou um macaco ensinar-me?

Os mais velhos murmuravam entre si:
— A árvore que não se curva ao vento acaba por quebrar.

Mas N’Dumbo ria e continuava a agir por conta própria.

Um dia, enquanto pastava, encontrou o velho búfalo Kafuxi, cuja barba branca parecia algodão seco. Kafuxi disse:
— Jovem elefante, ouvi dizer que o rio está cheio de armadilhas feitas pelos caçadores. Não vás beber sozinho, espera que os pássaros desçam primeiro, pois eles sempre percebem o perigo antes de nós.

N’Dumbo bufou alto:
— Um búfalo cansado não pode ensinar nada a quem carrega presas de rei.

E marchou orgulhoso até o rio.

Ao chegar, viu a água brilhando sob o sol e correu para beber. Mas logo sentiu uma dor aguda na pata dianteira: uma grande armadilha de ferro prendia-o.

N’Dumbo gritou tão alto que o eco se espalhou pela savana. O ferro cortava-lhe a pele, e quanto mais tentava libertar-se com força, mais fundo os dentes da armadilha se cravavam.

Os pássaros, que sobrevoavam atentos, gritaram:
— Dissemos que havia perigo! Se tivesses esperado, terias visto a verdade.

Mas o elefante, envergonhado, apenas chorava de dor.

Os animais menores, aqueles que N’Dumbo desprezava, vieram em sua ajuda. O ratinho Kitembo, com seus dentes afiados, começou a roer a corda que prendia a armadilha. As andorinhas puxavam os galhos que escondiam as correntes. Até a tartaruga N’Kutu, de longe, trouxe palavras de encorajamento.

Demorou horas, mas pouco a pouco conseguiram soltar N’Dumbo.

Quando enfim se viu livre, o elefante não rugiu de vitória. Baixou a cabeça e disse, com humildade:
— Perdoem-me, amigos. A força não serve quando os ouvidos estão fechados.

Desde esse dia, N’Dumbo passou a ouvir com atenção até os mais pequenos. Se um passarinho piava avisando da chegada da chuva, ele se abrigava. Se uma gazela corria em direção contrária, ele esperava para observar.

E assim, com o tempo, tornou-se não apenas o mais forte, mas também o mais sábio entre os elefantes da região.

Quando os mais jovens zombavam da paciência dele, N’Dumbo respondia com voz grave:
— A orelha é maior que a presa porque ouvir vale mais do que atacar.

E os anciãos diziam à nova geração:
— Vede como o elefante mudou. A força não o salvou, mas a humildade fê-lo rei de si mesmo.

 

MORAL DA HISTÓRIA

Este conto nos lembra que o orgulho cega e pode colocar-nos em situações perigosas. Muitas vezes, pessoas mais experientes — pais, avós, professores ou colegas — dão conselhos que parecem simples, mas são frutos de sabedoria acumulada.

Na vida real:

  • No trabalho, um jovem funcionário que ignora a orientação de um veterano pode cometer erros graves que custam tempo e recursos.
  • Nos estudos, o aluno que desdenha o conselho do professor pode perder oportunidades de aprender mais rápido.
  • Na saúde, alguém que não ouve alertas sobre alimentação, descanso ou vícios pode adoecer cedo.
  • Nos relacionamentos, quem se recusa a ouvir críticas construtivas acaba destruindo amizades ou amores.

Assim, o conto ensina que saber ouvir é mais importante do que ser forte. O verdadeiro sábio não é o que sabe tudo, mas o que está disposto a aprender com todos — até com os menores. “Quem não ouve conselhos, aprende pela dor.”


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