Provérbio: “Quem fecha os ouvidos ao conselho, abre o corpo ao sofrimento.”
Nas vastas
planícies de Ngola, onde a relva dança ao vento como ondas verdes e os
baobás se erguem como guardiões do tempo, vivia um jovem elefante chamado N’Dumbo.
N’Dumbo era
imenso, mesmo para sua idade. Suas presas brilhavam como marfim recém-polido e
suas patas levantavam poeira em cada passo. Os animais da savana o admiravam
pela força, mas também o temiam por causa do seu temperamento.
Sempre que alguém lhe dava um conselho, ele
bufava e dizia:
— Eu sou o maior, eu sou o mais forte. O que pode uma gazela, uma hiena ou um
macaco ensinar-me?
Os mais velhos murmuravam entre si:
— A árvore que não se curva ao vento acaba por quebrar.
Mas N’Dumbo
ria e continuava a agir por conta própria.
Um dia, enquanto pastava, encontrou o velho
búfalo Kafuxi, cuja barba branca parecia algodão seco. Kafuxi disse:
— Jovem elefante, ouvi dizer que o rio está cheio de armadilhas feitas pelos
caçadores. Não vás beber sozinho, espera que os pássaros desçam primeiro, pois
eles sempre percebem o perigo antes de nós.
N’Dumbo bufou alto:
— Um búfalo cansado não pode ensinar nada a quem carrega presas de rei.
E marchou
orgulhoso até o rio.
Ao chegar, viu
a água brilhando sob o sol e correu para beber. Mas logo sentiu uma dor aguda
na pata dianteira: uma grande armadilha de ferro prendia-o.
N’Dumbo gritou
tão alto que o eco se espalhou pela savana. O ferro cortava-lhe a pele, e
quanto mais tentava libertar-se com força, mais fundo os dentes da armadilha se
cravavam.
Os pássaros, que sobrevoavam atentos, gritaram:
— Dissemos que havia perigo! Se tivesses esperado, terias visto a verdade.
Mas o
elefante, envergonhado, apenas chorava de dor.
Os animais
menores, aqueles que N’Dumbo desprezava, vieram em sua ajuda. O ratinho Kitembo,
com seus dentes afiados, começou a roer a corda que prendia a armadilha. As
andorinhas puxavam os galhos que escondiam as correntes. Até a tartaruga
N’Kutu, de longe, trouxe palavras de encorajamento.
Demorou horas,
mas pouco a pouco conseguiram soltar N’Dumbo.
Quando enfim
se viu livre, o elefante não rugiu de vitória. Baixou a cabeça e disse, com
humildade:
— Perdoem-me, amigos. A força não serve quando os ouvidos estão fechados.
Desde esse
dia, N’Dumbo passou a ouvir com atenção até os mais pequenos. Se um passarinho
piava avisando da chegada da chuva, ele se abrigava. Se uma gazela corria em
direção contrária, ele esperava para observar.
E assim, com o
tempo, tornou-se não apenas o mais forte, mas também o mais sábio entre os
elefantes da região.
Quando os mais
jovens zombavam da paciência dele, N’Dumbo respondia com voz grave:
— A orelha é maior que a presa porque ouvir vale mais do que atacar.
E os anciãos diziam à nova geração:
— Vede como o elefante mudou. A força não o salvou, mas a humildade fê-lo rei
de si mesmo.
MORAL DA HISTÓRIA
Este conto nos
lembra que o orgulho cega e pode colocar-nos em situações perigosas.
Muitas vezes, pessoas mais experientes — pais, avós, professores ou colegas —
dão conselhos que parecem simples, mas são frutos de sabedoria acumulada.
Na vida real:
- No trabalho, um jovem funcionário que ignora
a orientação de um veterano pode cometer erros graves que custam tempo e
recursos.
- Nos estudos, o aluno que desdenha o conselho
do professor pode perder oportunidades de aprender mais rápido.
- Na saúde, alguém que não ouve alertas sobre
alimentação, descanso ou vícios pode adoecer cedo.
- Nos relacionamentos, quem se recusa a ouvir
críticas construtivas acaba destruindo amizades ou amores.
Assim, o conto
ensina que saber ouvir é mais importante do que ser forte. O verdadeiro
sábio não é o que sabe tudo, mas o que está disposto a aprender com todos — até
com os menores. “Quem não ouve conselhos, aprende pela dor.”
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