NARRAÇÃO

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

4 - 🐓 O GALO E O SOL

 

Provérbio: “O galo canta, mas não é ele que faz nascer o sol.”


Na aldeia que se espalhava às margens da savana, o amanhecer chegava sempre com o canto de Jabari, o galo de penas vermelhas como brasas. Todas as manhãs, antes mesmo que o primeiro raio de sol tocasse a terra, Jabari subia à cerca e erguia o peito, cantando alto e firme, como se o mundo dependesse de sua voz.

— Sem o meu canto, o sol não nasce! — gabava-se, olhando para as galinhas e para os pintos que despertavam assustados e curiosos.

As galinhas balançavam a cabeça, divertidas, mas Jabari ignorava os comentários, convencido de que era indispensável. Sua vaidade era grande, e acreditava que a aurora se curvava ao seu comando.

Certa manhã, decidido a provar sua importância, Jabari resolveu ficar em silêncio. Subiu à cerca como sempre, mas não soltou um som. As galinhas cochicharam entre si, olhando com curiosidade, mas Jabari apenas mantinha-se ereto, altivo, esperando que o mundo percebesse sua ausência.

O tempo passou. O céu começou a clarear, tingindo-se de laranja e rosa. Lentamente, os primeiros raios do sol romperam o horizonte, espalhando luz sobre a aldeia, os campos e a savana distante. O canto de Jabari não era necessário; o sol havia surgido, indiferente à sua vaidade.

Surpreso e confuso, Jabari sentiu um arrepio de vergonha percorrer suas penas. Suas galinhas, percebendo sua surpresa, soltaram risadinhas e cacarejos de divertimento:
— Vês, Jabari? Nem tudo depende de ti — disseram, como se falassem ao vento que agora soprava suave pela aldeia.

O galo, envergonhado, baixou a cabeça. Pela primeira vez, percebeu que havia confundido participação com controle. Que o mundo seguia seu curso independente de sua importância percebida e que a humildade era mais valiosa do que a vaidade.

Nos dias seguintes, Jabari ainda cantava, mas de forma diferente: não mais para se mostrar indispensável, mas para celebrar a aurora e compartilhar alegria com os outros. Seu canto tornou-se melodia e companhia, não imposição.

E assim, todas as manhãs, os habitantes da aldeia — humanos e animais — acordavam com o som do galo, mas agora não porque o sol dependia dele, mas porque Jabari havia aprendido que a verdadeira grandeza está em participar, e não em dominar.

O vento que corria pela savana carregava seu canto como música, e os pássaros, coelhos e até as zebras paravam para ouvir. Jabari, orgulhoso de uma maneira diferente, sentia no peito o peso da lição aprendida: que há forças maiores do que qualquer um e que humildade é a chave para conviver com o mundo em equilíbrio.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 Na savana africana, o galo Jabari aprendeu que participar não é o mesmo que controlar. O provérbio “O galo canta, mas não é ele que faz nascer o sol” lembra que nenhum indivíduo, por mais orgulhoso ou vaidoso, determina sozinho o curso do mundo.

 Na vida africana, como nas aldeias, cada ação faz parte de um equilíbrio maior: o sol nasce, os rios correm, a terra dá frutos — mesmo quando alguém acredita que seu esforço é indispensável. A vaidade e a ilusão de grandeza podem cegar, enquanto a humildade permite conviver em harmonia com os outros e com a natureza.

Jabari descobriu que a verdadeira grandeza está em compartilhar e colaborar, não em exigir reconhecimento. Assim como na savana, a África ensina que respeitar forças maiores e a ordem natural é essencial para viver em equilíbrio, onde todos têm seu papel e valor, mas ninguém é imprescindível sozinho.

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