Provérbio: “O galo canta, mas não é ele que faz nascer o sol.”
Na aldeia que
se espalhava às margens da savana, o amanhecer chegava sempre com o canto de Jabari,
o galo de penas vermelhas como brasas. Todas as manhãs, antes mesmo que o
primeiro raio de sol tocasse a terra, Jabari subia à cerca e erguia o peito,
cantando alto e firme, como se o mundo dependesse de sua voz.
— Sem o meu
canto, o sol não nasce! — gabava-se, olhando para as galinhas e para os pintos
que despertavam assustados e curiosos.
As galinhas
balançavam a cabeça, divertidas, mas Jabari ignorava os comentários, convencido
de que era indispensável. Sua vaidade era grande, e acreditava que a aurora se
curvava ao seu comando.
Certa manhã,
decidido a provar sua importância, Jabari resolveu ficar em silêncio. Subiu à
cerca como sempre, mas não soltou um som. As galinhas cochicharam entre si,
olhando com curiosidade, mas Jabari apenas mantinha-se ereto, altivo, esperando
que o mundo percebesse sua ausência.
O tempo
passou. O céu começou a clarear, tingindo-se de laranja e rosa. Lentamente, os
primeiros raios do sol romperam o horizonte, espalhando luz sobre a aldeia, os
campos e a savana distante. O canto de Jabari não era necessário; o sol havia
surgido, indiferente à sua vaidade.
Surpreso e
confuso, Jabari sentiu um arrepio de vergonha percorrer suas penas. Suas
galinhas, percebendo sua surpresa, soltaram risadinhas e cacarejos de
divertimento:
— Vês, Jabari? Nem tudo depende de ti — disseram, como se falassem ao vento que
agora soprava suave pela aldeia.
O galo,
envergonhado, baixou a cabeça. Pela primeira vez, percebeu que havia confundido
participação com controle. Que o mundo seguia seu curso independente de sua
importância percebida e que a humildade era mais valiosa do que a vaidade.
Nos dias
seguintes, Jabari ainda cantava, mas de forma diferente: não mais para se
mostrar indispensável, mas para celebrar a aurora e compartilhar alegria com os
outros. Seu canto tornou-se melodia e companhia, não imposição.
E assim, todas
as manhãs, os habitantes da aldeia — humanos e animais — acordavam com o som do
galo, mas agora não porque o sol dependia dele, mas porque Jabari havia
aprendido que a verdadeira grandeza está em participar, e não em dominar.
O vento que
corria pela savana carregava seu canto como música, e os pássaros, coelhos e
até as zebras paravam para ouvir. Jabari, orgulhoso de uma maneira diferente,
sentia no peito o peso da lição aprendida: que há forças maiores do que
qualquer um e que humildade é a chave para conviver com o mundo em equilíbrio.
MORAL DA HISTÓRIA
Jabari descobriu que a verdadeira grandeza está em compartilhar e colaborar, não em exigir reconhecimento. Assim como na savana, a África ensina que respeitar forças maiores e a ordem natural é essencial para viver em equilíbrio, onde todos têm seu papel e valor, mas ninguém é imprescindível sozinho.
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