NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

61 -O BODE QUE SUSSURRAVA AO VENTO


Provérbio: Um bode velho não espirra sem uma boa razão (Quenia).

 

Na aldeia de Kilungu, no Quênia, havia um velho bode chamado Ngumo. Seus pelos eram grisalhos, seus olhos refletiam rios de histórias e suas costas arqueadas eram mapas das dificuldades que sobrevivera. Os jovens da aldeia riam dele: “Esse velho só reclama e espirra por nada!”

Mas Ngumo tinha um segredo: cada espirro era um aviso, uma percepção do ambiente que os jovens não conseguiam sentir. Ele podia sentir a umidade do solo, o cheiro da água escondida e até a aproximação de serpentes ou predadores.

Um dia, uma seca cruel atingiu a aldeia. O riacho secou e a relva murchou. Os bodes jovens, impacientes e confiantes, ignoraram os avisos de Ngumo. “Ele só espirra à toa!”, disseram, e marcharam pelas colinas em busca de pasto.

Ngumo, contudo, farejava cada passo, espirrando deliberadamente, testando o ar e a segurança do caminho. Cada espirro indicava: aqui tem perigo, ali há água, cuidado com o solo quebradiço.

Não demorou para que os jovens caíssem em buracos escondidos, escorregassem em pedras soltas e encontrassem uma serpente venenosa. Desesperados, perceberam que os espirros de Ngumo eram sinais de alerta, não reclamações.

Com paciência, Ngumo guiou-os a um vale secreto, verde e cheio de água, que apenas ele conhecia. Lá, descansaram e se reabasteceram.

 

EXPLICAÇÃO DO PROVÉRBIO NO CONTO:

O velho bode não espirra sem uma boa razão porque cada gesto seu é fruto da experiência acumulada ao longo dos anos. Assim como Ngumo, os mais velhos percebem perigos, oportunidades e detalhes que os jovens ignoram. O espirro é uma metáfora para a sabedoria silenciosa: é um sinal, não um capricho. Ignorá-lo pode custar caro.

 Moral da história:

A experiência tem valor real; ouvir o mais velho é ouvir a própria sobrevivência. Na África, a tradição não é apenas memória — é a bússola que orienta em tempos de incerteza.

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