NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

55 - O CAIR DE JUMA

 

Provérbio: Um homem no solo não mais pode cair.

 

Na aldeia de Meru, vivia Juma, um jovem agricultor conhecido pela sua arrogância. Tinha terras férteis, colheitas abundantes e sempre se gabava:

— Enquanto outros mendigam, eu como do meu próprio suor! Nunca cairei na pobreza.

Mas a vida é como as chuvas: muda sem aviso. Veio a estiagem, as plantações secaram e as pragas devoraram o pouco que restava. Em poucas luas, Juma perdeu o milho, as cabras e a confiança dos vizinhos, pois nunca ajudara ninguém. Ridicularizado, caiu na miséria.

Um dia, sentado no chão batido da sua cabana vazia, murmurou:

— Estou no fundo. Nada mais tenho a perder.

O velho ancião da aldeia, Mzee Baraka, aproximou-se e disse-lhe:

— Filho, um homem no solo não mais pode cair. É aí que começa a levantar-se. Aprende com o pó onde estás sentado e verás que até a terra seca pode florescer.

Tomando as palavras a sério, Juma pediu perdão aos vizinhos e ofereceu-se para trabalhar nas hortas alheias em troca de sementes. Com humildade, cuidou da terra emprestada, partilhou o pouco que colhia e voltou a ganhar o respeito da comunidade.

Passado algum tempo, a chuva retornou. Juma, mais sábio e menos orgulhoso, reconstruiu sua vida. Não voltou a se gabar, mas sempre dizia às crianças:

— Não temam a queda. Quando se está no chão, só resta aprender e levantar-se.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 O provérbio sul africano e tanzaniano ensina que a queda, por mais dura que seja, não é o fim. Quem chega ao “solo” encontra a oportunidade de se reerguer, porque não há como cair mais baixo.

No contexto africano, a lição é que a resiliência, a humildade e o apoio comunitário permitem transformar a derrota em novo começo.

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