NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

54 - A DANÇA DE WANJIRU


Provérbio: “Uma pessoa não pode dançar bem numa perna só.”

 

Na aldeia de Kikuyu, todos aguardavam o grande Festival da Colheita, onde a dança era o coração da celebração. Quem dançasse bem diante dos anciãos teria honra e seria lembrado por gerações.

Entre os jovens, havia Wanjiru, uma rapariga ágil, mas muito orgulhosa. Desde pequena dizia:

— Eu não preciso de ninguém. Minha força basta, meus pés sabem sozinhos o caminho da música.

Enquanto os outros jovens treinavam em pares, formando rodas e ensaiando passos conjuntos, Wanjiru praticava sozinha, com saltos rápidos e rodopios audazes. Os mais velhos a advertiam:

— Filha, uma pessoa não pode dançar bem numa perna só. A dança é diálogo, não monólogo.

Mas ela ria, confiante.

Chegado o dia do festival, os tambores ecoaram pela planície e os jovens entraram no círculo. Cada dupla se movia em sintonia: um passo puxava o outro, um gesto completava o parceiro. A dança parecia conversa de pés, risos e batidas de coração.

Quando chegou a vez de Wanjiru, ela avançou sozinha, exibindo sua velocidade e energia. No início, todos aplaudiram. Mas, pouco a pouco, a dança perdeu graça: faltava ritmo compartilhado, faltava resposta ao gesto. Era como uma canção cantada sem eco. Os tambores calaram-se antes da hora.

Envergonhada, Wanjiru saiu do círculo. Naquela noite, o ancião mais velho, Mzee Kamau, aproximou-se e disse:

— Vês, filha? A vida é como a dança. Quem tenta fazê-la sozinho até pode começar com força, mas não sustenta o ritmo. Assim como não se dança numa só perna, também não se vive sem o apoio do outro.

Wanjiru chorou, mas aprendeu. No ano seguinte, dançou com as outras raparigas em roda, e pela primeira vez, sentiu que a dança tinha alma — porque estava partilhada.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 O provérbio sul africano e tanzaniano ensina que a vida não é feita para ser vivida em isolamento. Assim como não se dança com uma só perna, também não se constrói futuro sem cooperação, amizade e comunidade.

No contexto africano, onde a interdependência é essencial, a lição vai além da dança: sozinho pode-se começar, mas só juntos se sustenta o movimento da vida.

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