NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

53 - A SERPENTE NA ALDEIA DE KALANDULA


Provérbio: “Uma vara que está longe não pode matar a serpente.”

 

Na aldeia de Kalandula, vivia o jovem Ndala, conhecido por falar muito e agir pouco. Sempre que surgia um problema, ele dizia:

— Se fosse eu, já teria resolvido. Se fosse comigo, já estava feito!

Um dia, uma serpente venenosa entrou no quintal da anciã M’bambi, que cuidava sozinha dos netos pequenos. Assustada, ela correu até a praça da aldeia pedindo ajuda.

Ndala foi o primeiro a levantar a voz:

— Não se preocupem! Eu sou valente, posso matar serpente com uma vara só!

Todos olharam para ele. Mas Ndala estava sentado à sombra, comendo manga, e apenas apontava para uma vara comprida encostada numa árvore, bem distante do quintal da anciã.

— Ali está a vara. Usem-na e a serpente morrerá — disse, sem se mover.

Enquanto discutia, a serpente se enrolava cada vez mais perto da porta da cabana. Então, Sefu, um caçador silencioso, correu, pegou uma vara curta que estava ao alcance da mão e, sem alarde, matou a cobra antes que entrasse na casa.

Os vizinhos aplaudiram Sefu. Já Ndala, corado de vergonha, tentou justificar-se:

— Eu ia, mas achei melhor esperar…

O ancião Makiese levantou-se e disse em voz firme:

— Ndala, uma vara que está longe não pode matar a serpente. Palavras bonitas, planos distantes ou ajudas atrasadas não salvam ninguém. Só a acção próxima e imediata resolve os perigos da vida.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 Este provérbio angolano mostra que as soluções distantes ou apenas faladas são inúteis diante de problemas urgentes. Assim como uma vara longe não mata a serpente, também promessas vazias, ajuda adiada ou líderes distantes não resolvem os dilemas da comunidade.

A lição é clara: quem enfrenta os problemas deve estar próximo, com coragem e acção real. Não basta apontar caminhos de longe — é preciso agir, estar presente e servir de exemplo.

Sem comentários:

Enviar um comentário