Provérbio: Um leão não come seus filhotes.
Nos planaltos de Samburu, vivia um leão chamado Mkali, temido por todos os animais. Sua juba dourada brilhava como fogo ao sol, e sua força era tão grande que nenhum ousava enfrentá-lo. A fama de cruel corria pela savana: dizia-se que Mkali atacava zebras sem piedade e até búfalos se curvavam diante de sua fúria.
Certo dia, uma terrível seca assolou a região. As águas secaram, a grama rareou e as presas desapareceram. O estômago de Mkali roncava noite e dia. Desesperado de fome, rondava o território à procura de qualquer coisa para comer.
Numa manhã, encontrou-se frente a frente com seus próprios filhotes, brincando perto da toca. Frágeis, ainda sem saber caçar, eram presas fáceis. A fome rugia em seu ventre, mas o coração rugia mais alto. Mkali apenas se aproximou, encostou o focinho nos pequenos e murmurou:
— A savana pode secar, mas meu sangue eu não derramo.
Decidiu então sair em busca de comida longe de sua terra. Andou por dias até alcançar um vale distante, onde ainda havia gnus. Caçou com esforço e voltou para a família, trazendo carne suficiente para os filhotes e para a leoa que cuidava deles.
Os animais da savana, que temiam Mkali, viram naquele gesto uma lição: mesmo o mais feroz dos caçadores protege o que é seu.
MORAL DA HISTÓRIA
No contexto africano, a lição é clara: família e comunidade vêm antes da sobrevivência individual.
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