NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

58 - A FESTA DE KATO

 

Provérbio: Um estômago cheio não dura toda a noite.

 

Na aldeia de Buganda, vivia Kato, um jovem conhecido por sua pressa em gastar tudo o que tinha. Quando caçava, comia sozinho até não aguentar mais. Quando ganhava moedas, corria para comprar cerveja de banana. Os mais velhos avisavam:

— Kato, um estômago cheio não dura toda a noite.

Mas ele ria:

— Quem tem hoje, não teme o amanhã!

Um dia, chegou à aldeia um mercador com sacos de milho. As chuvas tinham falhado e todos sabiam que o tempo de fome se aproximava. Kato, que havia vendido duas cabras, decidiu comprar carne fresca e organizar uma festa. As pessoas comeram, dançaram e cantaram até tarde. Naquela noite, ninguém passou fome.

Mas, quando os dias de seca chegaram, as panelas estavam vazias. Os vizinhos que haviam comprado milho racionavam e partilhavam entre as famílias. Kato, sem reservas, começou a bater de porta em porta.

Um velho ancião, olhando-o com compaixão, disse:

— Vês, Kato? O estômago que enches num só dia não te salva da fome do amanhã. A sabedoria está em guardar, não apenas em gastar.

Envergonhado, Kato ofereceu-se para ajudar os vizinhos nos campos, carregando água e cuidando do gado, em troca de um punhado de milho. Aprendeu, pela dureza, que a vida exige visão além da festa.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 O provérbio ugandês ensina que a satisfação imediata é passageira. Comer ou gastar sem pensar no amanhã pode trazer alegria momentânea, mas não garante segurança. No contexto africano, onde as colheitas e chuvas são incertas, a lição é clara: a prudência e a partilha sustentam a comunidade mais do que a abundância momentânea.

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