NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

59 - A FIGUEIRA DE M’BALA


Provérbio: “Uma figueira achada à margem do caminho pode ser bastante para livrá-lo da fome.” (África do Sul e Tanzânia)

 

No vasto caminho poeirento entre as aldeias de N’kosi e Lembanda, caminhava M’Bala, um jovem caçador. O sol queimava, a garganta estava seca e o estômago roncava. Havia três dias que não encontrava caça e, por orgulho, recusava pedir comida em cada aldeia que passava.

— Um caçador que mendiga não merece respeito — dizia a si mesmo.

Mas naquele dia, as pernas já lhe pesavam como troncos molhados. Sentiu que podia desmaiar. Enquanto andava, resmungando contra a má sorte, deparou-se com uma figueira frondosa à beira do caminho. O chão estava coberto de figos maduros, caídos como dádivas.

M’Bala olhou em volta:

— Se fosse caça, eu teria de armar armadilha; se fosse milho, teria de semear e esperar a chuva. Mas aqui está… pronto.

Apanhou os figos, comeu devagar e sentiu a força voltar. Depois, saciou-se e pensou:

— Se a figueira me salvou, não foi por acaso.

Decidiu encher o cesto com os frutos que sobravam e levou-os à aldeia mais próxima. As crianças comeram, os velhos sorriram, e os anciãos disseram:

— M’Bala, não é vergonha aceitar o que o caminho lhe oferece. Às vezes, o que salva não é a caça difícil, mas a dádiva simples.

Naquele dia, M’Bala aprendeu que o orgulho vazio enfraquece, mas a gratidão fortalece.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 A vida nem sempre exige grandes conquistas para garantir a sobrevivência. Às vezes, a solução está nas pequenas coisas, como uma figueira à beira do caminho. Na tradição africana, isso ensina que devemos aceitar com humildade os presentes inesperados da natureza e da comunidade, sem desdenhar do que parece simples.

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