Provérbio: A criança não acha graça da feiúra de sua mãe (Uganda)
Na aldeia de Kanyama, vivia Nia, uma menina de oito anos, filha de Ayo, uma mulher conhecida por sua aparência pouco atraente. Ayo não era mal-humorada nem preguiçosa; pelo contrário, cuidava da filha, cozinhava, tecia cestos e ajudava vizinhos. Mas, aos olhos da aldeia, e principalmente da menina, Ayo era “feia”: pele marcada, dentes tortos e cabelos sempre despenteados.
Nia, como muitas crianças, era honesta demais. Quando os amigos perguntavam sobre sua mãe, a menina respondia com sinceridade cortante:
— Minha mãe é feia.
Ayo, sentindo o golpe, não se irritava. Apenas sorria e dizia:
— A beleza é como o rio, minha filha. Às vezes, turva, às vezes clara. Mas é o que temos dentro que sustenta a aldeia.
Um dia, a aldeia recebeu uma visita do chefe do vilarejo vizinho. Ele anunciou que haveria uma competição de habilidades: dança, canto e sabedoria ancestral. Quem vencesse poderia levar o prêmio de sementes e farinha para sua aldeia. Nia, animada, quis participar, mas a timidez a dominava. Ayo, vendo o medo da filha, disse:
— Você não precisa se esconder atrás do que os olhos veem. O que conta é o que o coração sente e o que você sabe.
No dia da competição, muitas mães e filhos se apresentaram. As outras crianças estavam lindas e bem vestidas. Nia sentiu vergonha e quase desistiu. Mas, lembrando-se das palavras da mãe, respirou fundo e dançou com alegria, contando histórias da aldeia através de gestos e cantos. O público se encantou. No fim, Nia ganhou o prêmio de “Melhor História e Dança”, e todos aplaudiram.
Enquanto voltavam para casa, os vizinhos comentavam:
— Ayo deve estar orgulhosa!
E Nia, olhando para a mãe, finalmente entendeu:
— Mamãe… você não é só bonita por fora, você é incrível por dentro!
Ayo sorriu e disse:
— Minha filha, lembre-se sempre: a verdadeira beleza é a força do coração e do caráter. A criança pode não perceber a feiúra de sua mãe, mas aprende com seu amor, coragem e sabedoria.
MORAL DA HISTÓRIA
Sem comentários:
Enviar um comentário