Provérbio: “Um gosto agradável não permanece para sempre na boca.”
Na aldeia de Cazengo, todos aguardavam a chegada das chuvas. As colheitas estavam fracas e a fome rondava as casas. Mas Kitoko, jovem ambicioso, encontrou um tesouro: um cesto de mel silvestre e algumas cabras que herdara do pai.
Em vez de guardar, partilhar ou investir para o tempo de escassez, Kitoko pensou:
— A vida é curta. Quero prazer agora!
Mandou chamar músicos, convidou os amigos e fez um grande banquete. O mel escorria nas tigelas, a carne fumegava, e todos riam até tarde da noite. Naquele momento, a boca estava cheia de sabor e alegria.
Mas o tempo passou. O mel acabou, as cabras foram abatidas, e a seca não cedeu. Kitoko, sem reservas, passou a mendigar nos mesmos quintais onde antes se gabava de fartura. Certa manhã, encontrou o velho ancião Kiala, que lhe disse:
— Filho, lembra-te: um gosto agradável não permanece para sempre na boca. A doçura passa, o sabor some, mas as consequências do que fazemos permanecem. O prazer de hoje pode ser a miséria de amanhã, se não fores sábio.
Humilhado, Kitoko aprendeu. Juntou-se aos outros jovens para cultivar mandioca, ajudou a cavar poços e passou a guardar parte do que colhia. Nunca mais fez banquetes de orgulho. Em vez disso, oferecia apenas pequenas partilhas, lembrando sempre que a vida precisa de equilíbrio entre gozo e responsabilidade.
MORAL DA HISTÓRIA
No contexto africano, onde a sobrevivência depende do equilíbrio entre festa e trabalho, partilha e prudência, a lição é clara: a sabedoria está em não se deixar dominar pela busca imediata de prazer, mas em construir segurança e bem-estar para o futuro e para a comunidade.
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