NARRAÇÃO

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

47 - O JAGUDI E O FALCÃO

 

Um dia, o Jagudi encontrava- se pousado numa árvore à espera de ganhar carne morta recebeu a visita de Falcão que veio posar ao lado dele. O Falcão depois de contemplar, em silêncio o Jagudi censurou-o de imediato:

-Você que tem bicos tão grandes e asas como velas dos barcos, deveria ir por esse mundo fora, à procura de caça, como faz toda a gente.

Então, o Jajudi respondeu-lhe logo

-Eu não gosto de fazer mal a ninguém, pois fico contente com as carnes dos animais mortos, que eu encontro pelo caminho. É a norma de conduta, porque é o comportamento que está mais ajustado à minha espécie.

-Pois, eu não penso do mesmo modo que nem você- declarou o Falcão. De esperar a carne morta, eu apanho qualquer animal que aparece pela minha frente. Olha, você aquela pomba pousada no ramo daquela árvore aí? Não me escapa.

Quando o Falcão acabou de dizer isso, voou como uma flecha, em direção à Pomba. Mas era tal a velocidade que levava, para mostrar ao Jagudi que era capaz de caçar a pomba, que foi bater, violentamente a cabeça no tronco de uma árvore, caindo no chão desmaiado e quase morto. Entretanto, a pomba vendo o perigo que a ameaçava fugiu rapidamente. Ao despertar, o Falcão muito assustado viu o Jagudi em cima dele esperando morrer.

Começou a implorar-lhe:

-Tio Jagudi, não me faça mal! Bem que você vê, ainda não estou morto… O Jagudi respondeu- lhe:

-Pode morrer tranquilamente, porque eu sou muito paciente. Nunca tenho pressa. Só quero dizer a você, que já não vai escapar.

Passados alguns minutos, o Falcão soltou o seu último suspiro. Então, o Jagudi vendo- o morto foi lá e começou a comer o arrogante.

 

 

Esse conto, “O Jagudi e o Falcão”, é um clássico exemplo da literatura oral africana, especialmente das fábulas com animais, onde cada animal representa características humanas:

O Jagudi simboliza a paciência, a prudência e a ética — ele espera pela carne já morta, respeita o equilíbrio da vida e não prejudica outros desnecessariamente.

 

O Falcão encarna a arrogância, a impulsividade e a ganância — quer mostrar poder, age com pressa e sem pensar nas consequências.

A narrativa ensina de forma direta: quem age com arrogância e impaciência muitas vezes acaba sofrendo as consequências, enquanto a paciência e a prudência garantem a sobrevivência e até a vantagem sobre os imprudentes. O fato do Jagudi devorar o Falcão no final é quase literal, mas também simbólico — a prudência e a paciência “consomem” a impetuosidade e a soberba. (grifo nosso)

 


MORAL DA HISTÓRIA

 A impaciência e a arrogância podem levar à própria destruição, enquanto a paciência, a prudência e o respeito pelos limites dos outros não só protegem, mas também podem transformar a virtude em vantagem. O Jagudi ensina que a calma e a observação estratégica valem mais do que a pressa e a ostentação de força. (grifo nosso)

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