De entre as várias espécies de ratos que vivem na nossa terra, existe um que possui um comportamento original: tudo o que consegue apanhar- pequenas peças de roupas, canetas, diversos alimentos, joias, moedas, etc. transporta para o seu esconderijo.
É do tamanho de um gato jovem, tem cor acinzentada escura e possui uma longa cauda, tão comprida como o próprio corpo.
Vive geralmente nos quintais das casas ou em terrenos próximos. Esconde- se nas tocas, que constrói junto das árvores e das paredes.
A sua esperteza é tanta que, por vezes, cava junto das paredes, longos buracos no chão, que lhe dão acesso ao interior das residências.
Anda sorrateiro, principalmente pela calada da noite, em busca de alimentos e outras coisas que depois arrasta para sua toca.
Sempre que as pessoas dão pelo desaparecimento de coisas ou objectos, logo desconfiam que o ladrão é o João-doido, nome vulgar porque é conhecido este rato amigo alheio. Então, procuram descobrir-lhe a toca o que, por vezes, é muito difícil e colocam junto dela uma pequena lata contendo uma bebida alcoólica bem açucarada. O guloso do João-doido, logo que descobre esse bebedouro, ingere o líquido e, depois, fica embriagado.
A partir desse momento, como que arrependido da sua má ação pela pilhagem que fez, passa a ser um rato bom: tira para fora do esconderijo tudo o que lá conseguiu armazenar, assim devolvendo às pessoas aquilo que tinha furtado, porém, no dia seguinte, perde de novo a dignidade e volta a transportar para seu esconderijo tudo o que lhe aparece pela frente.
O João-doido, que mais acertadamente deveria ser designado por rato-ladrão, não deixa de ser um bicho curioso, pelo seu comportamento estranho. No entanto, ele dá- nos um mau exemplo de desonestidade, pois vai obtendo, pelo furto, aquilo que não lhe pertence e que aos outros custou a ganhar.
O conto “O João-doido” é típico da tradição oral africana, especialmente da Guiné-Bissau, transmitido de geração em geração, e não possui um autor conhecido. Trata-se de uma fábula que combina observação da natureza com lições de moral. (grifo nosso)
MORAL DA HISTÓRIA
A narrativa mostra que a desonestidade, mesmo que temporariamente interrompida, sempre traz consequências; o João-doido simboliza como a ganância e o egoísmo podem levar a comportamentos repetitivos e prejudiciais, lembrando que a honestidade deve ser constante e não apenas circunstancial. (grifo nosso)
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