NARRAÇÃO

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

34 - A CRIAÇÃO DO MUNDO


No princípio, o Deus único criou o Sol e a Lua, que tinha a forma de cântaros, a sua primeira invenção. O Sol é branco e quente, rodeado por oito anéis de cobre vermelho, e a Lua, de forma idêntica tem anéis de cobre branco. As estrelas nasceram de pedras que Deus atirou para o espaço. Para criar a Terra, Deus espremeu um pedaço de barro e, tal como fizera com as estrelas, arremessou-o para o espaço, onde ele se achatou, com o Norte no topo e o restante espalhado em diferentes regiões, à semelhança do corpo humano quando está deitado de cara para cima.

 

Esse relato que trouxeste é um dos mais famosos da tradição Dogon, povo que vive principalmente na região dos planaltos de Mali, no oeste africano. Os Dogon são conhecidos mundialmente pela sua cosmologia complexa, cheia de símbolos, que mistura astronomia, natureza e espiritualidade.

Transmitido oralmente por Ogotemmêli, um sábio cego dogon, a Marcel Griaule e depois analisado por Geoffrey Parrinder.

 

 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

 Elementos principais do mito

1. Sol e Lua como cântaros – A água e o barro são fundamentais na cultura dogon (a agricultura e a cerâmica sustentam a comunidade). O cântaro é um símbolo de vida, nutrição e continuidade.

2. Anéis de cobre – O cobre representa força, resistência e poder divino. O vermelho (do Sol) é associado à energia e ao sangue, o branco (da Lua) à pureza e ao equilíbrio.

3. Estrelas de pedras – Ideia de que o cosmos nasce de gestos divinos simples, mas grandiosos: atirar pedras que se tornam estrelas.

4. A Terra como corpo humano – O mundo é visto como um organismo vivo, espelhando o corpo humano. Isso reforça a ligação entre homem, natureza e cosmos.

 

Moral/Significado no contexto africano

Unidade do cosmos: Tudo tem ligação – o corpo humano, o céu e a terra. A vida humana reflete a ordem universal.

Simplicidade criadora: Deus cria com gestos simples, mas significativos. Isso lembra que o essencial está na simplicidade e no equilíbrio.

Centralidade da comunidade: O mito, contado por Ogotemmêli, não é só uma explicação do mundo; é também um guia para a vida social, ensinando a viver em harmonia com a natureza e com os outros.

Resumindo: A criação do mundo, segundo os Dogon, não é um ato distante e abstrato, mas um reflexo da vida humana. O céu, a terra e o corpo fazem parte da mesma dança cósmica.


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