A Hiena estabeleceu relações de amizade com o Gala-Gala.
Um dia, a Hiena preparou cerveja e foi chamar o seu amigo lagarto:
—Vamos beber cerveja.
Foram. O Gala-Gala embriagou-se. Perguntou à sua amiga Hiena:
— Amiga, tu que gostas tanto de carne, se me encontrares morto no caminho, és capaz de me comer?
—Não, isso nunca. Eu quero ser tua amiga. O lagarto embriagou-se muito e despediu-se:
—Amiga, vou para minha casa.
—Está bem.
O Gala-Gala partiu. A meio do caminho, deitou-se a dormir. A Hiena pensou: "O meu amigo bebeu muito. É melhor ir ver se ele chega bem a casa". Encontrou-o no caminho, deitado. Levantou-o:
—É sono, amigo? É embriaguez?
Segurou-o, virando-o. O lagarto calou-se, sem respirar. A Hiena agarrou nele e atirou-o para o mato. Depois saiu do caminho, foi ver onde é que o Gala-Gala tinha caído e encontrou-o.
—O meu amigo morreu.
Cortou lenha, fez fogo, e agarrou no lagarto para o assar na fogueira. O Gala-Gala, sentindo o calor do fogo, bateu com a cauda nos olhos da Hiena e subiu, depressa, para uma árvore.
A amizade entre eles acabou ali. O Gala-Gala passou a viver nas árvores e a Hiena continuou a andar no chão, para nunca mais se encontrarem.
Este conto “A Hiena e o Gala-Gala” tem origem angolana, inserido na tradição oral africana em que animais são antropomorfizados para transmitir lições morais. A hiena é frequentemente representada como astuta, gananciosa ou traiçoeira, enquanto o gala-gala (lagarto) simboliza prudência e esperteza para escapar do perigo. (grifo nosso)
MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)
Este conto ensina quatro lições importantes:
1. A confiança cega pode ser perigosa.
O gala-gala confiou na amizade da hiena sem suspeitar de sua natureza predadora. Em muitas sociedades africanas, ensina-se que a amizade deve ser baseada em prudência e observação, não apenas em palavras.
2. A traição destrói relações.
A hiena tentou enganar e prejudicar o amigo, quebrando a confiança. A história mostra que quem trai perde amigos e acaba isolado, reforçando o valor da lealdade nas comunidades africanas.
3. O perigo ensina prudência.
Depois do incidente, o gala-gala passou a viver nas árvores — um espaço seguro — enquanto a hiena ficou no chão. Isso simboliza que quem aprende com o erro adapta-se para sobreviver, princípio muito valorizado na sabedoria africana.
4. Natureza e instintos determinam limites.
Animais com características predatórias ou cautelosas seguem caminhos diferentes. A lição é que cada indivíduo deve respeitar limites naturais e características de outros, evitando conflitos desnecessários.
Em resumo: A moral africana é que a amizade exige prudência e lealdade; a traição destrói relações e ensina a adaptar-se para sobreviver. O conto também explica de forma simbólica por que certos animais vivem separados (lagartos nas árvores, hienas no chão), como ensinamento da sabedoria oral africana.
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