NARRAÇÃO

domingo, 31 de agosto de 2025

22 - UMA IDÉIA TONTA

 

Um dia a hiena recebeu convite para dois banquetes que se realizavam à mesma hora em duas povoações muito distantes uma da outra. Em qualquer dos festins era abatido um boi, carne que a hiena é especialmente gulosa.

—Não há dúvida de que tenho de assistir aos dois banquetes, pois não quero desconsiderar os anfitriões. Também as oportunidades de comer carne de boi não são muitas... mas como hei-de fazer, se as festas são em lugares tão distantes um do outro?

A hiena pensou, pensou... e, de repente, bateu com a mão na testa.

—Descobri! Afinal é simples... —disse ela, muito contente com a sua esperteza.

Saiu à pressa de casa. Assim que chegou ao local donde partiam os dois caminhos que levavam aos locais das festas, começou a andar pelo caminho que ficava do lado direito com a perna direita e pelo caminho que ficava do lado esquerdo, com a perna esquerda.

Pensava chegar deste modo a ambas as festas ao mesmo tempo. Mas começou a ficar admirada de lhe custar tanto caminhar dessa maneira. E fez tanto esforço, que se sentiu dividir em duas de alto a baixo.

Coitada, lá a levaram ao médico que a proibiu, desde logo, de comer carne de boi durante um mês.

—É muito tonta a hiena!

 

Fonte: "Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999


Este conto “Uma Ideia Tonta” é de origem angolana, recolhido da tradição oral e transmitido nas aldeias como fábula moral. Ele pertence ao ciclo de narrativas africanas que usam animais antropomorfizados para ensinar lições sobre comportamento, inteligência e moderação. A hiena, tradicionalmente representada como gulosa e tola, é um personagem recorrente em fábulas do Sul e Centro de África. (grifo nosso)

 

 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

A hiena tentou estar em dois lugares ao mesmo tempo para comer toda a carne de boi, mostrando que a cobiça excessiva leva a esforços inúteis e consequências negativas.

Nas sociedades africanas, a ganância é vista como destruidora da harmonia individual e comunitária.

O conto ensina que ideias que desafiam a realidade sem lógica ou prudência levam ao fracasso e o excesso, seja de desejo ou de ambição, traz problemas. A história reforça valores africanos de equilíbrio, paciência, moderação, humildade e respeito pelos limites da própria capacidade.

Em resumo: A moral africana é que ganância, ideias absurdas e excesso de ambição levam ao fracasso; é melhor agir com prudência, moderação e bom senso, respeitando os limites da realidade.

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