NARRAÇÃO

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

30 - PITA PONJE


Quando um bebê nascia, tinha que ficar pelo menos três a quatro semanas dentro de casa e a mãe desse bebê não podia falar com pessoas de fora. Também a própria mãe tinha que ficar escondida, assim, dentro da cubata.

Até esta altura, o bebê estava sem nome. Só quando a ponta do umbigo do bebê tivesse secado e tivesse caído é que se podia atribuir o nome ao bebê. E esta atribuição do nome ao bebê era especial, porque geralmente tinha que se fazer uma festa, a "Pita pondje".

No dia de "pita pondje", o pai do bebê tinha que ter pelo menos um cabrito, e a família materna do bebê tinha que preparar bebidas fermentáveis, para servir como alimentação no momento do festejo.

Quando a família do marido e da mulher tivessem chegado, o pai do bebê ia para dentro da cubata, saía com o bebê, punha-o por cima da cubata e dizia o nome completo do bebê - Mekondjo Mwetjihanga Mbutu.

Entretanto, este nome era divulgado em voz alta para que toda gente o ouvisse.

Finalmente , depois do anúncio do nome, era servida às pessoas a festa que se tinha preparado.

 Fonte: Mbutu Tjipena Estudante da Universidade da Namíbia

 O texto sobre “Pita Ponje” descreve uma prática cultural da Namíbia (praticada possivelmente pelos grupos étnicos como os Ovambo, Nama, Herero e Himba), ligada ao nascimento e atribuição de nome ao bebê, e tem uma riqueza simbólica enorme.

 

Interpretação do Ritual Pita Ponje

 Resguardo da mãe e do bebê

O período de três a quatro semanas dentro da cubata (casa tradicional) é uma fase de proteção. Tanto a mãe como o recém-nascido são considerados vulneráveis nesse tempo — espiritualmente e fisicamente.

Isso mostra a importância da proteção da vida nova, não só no corpo, mas também na alma.

O umbigo como ligação e identidade

Esperar a queda do umbigo antes de nomear a criança significa que a identidade só se completa quando o vínculo físico da gestação termina.

O umbigo é símbolo de ligação à linhagem, à ancestralidade e à continuidade da vida.

A festa como afirmação comunitária

O nome não é apenas privado, é público, anunciado em voz alta.

A comunidade inteira é chamada a reconhecer e a celebrar a existência do novo membro, reforçando que a identidade é coletiva e não apenas individual.

Papel das duas famílias

O pai oferece o cabrito; a família materna traz a bebida. Isso mostra o equilíbrio entre os dois lados da parentela.

O nascimento é um evento de aliança entre famílias, fortalecendo laços sociais.

 O acto de levantar o bebê sobre a cubata

Colocar o bebê por cima da casa e pronunciar o nome é um gesto profundamente simbólico:

A cubata representa o lar e a continuidade da família;

Elevar a criança significa apresentá-la aos ancestrais, ao cosmos e à comunidade.

 

Significado Cultural Mais Profundo

O Pita Ponje mostra como, nas sociedades africanas, nascer não é apenas um facto biológico, mas uma integração espiritual e social. A criança só “existe plenamente” quando: é nomeada, é reconhecida pela comunidade, e é acolhida na linhagem dos ancestrais.

O nome dito em voz alta não é só rótulo, é destino, memória e bênção. (grifo nosso)

  

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

O conto ensina quatro lições importantes:

A vida só floresce em comunidade: ninguém nasce sozinho, nasce-se dentro de um tecido social.

O nome é herança e responsabilidade: ele liga o indivíduo à família, à história e ao futuro.

O nascimento é também um pacto: entre famílias, entre vivos e ancestrais, entre presente e futuro.

 

 

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