Havia a Lebre, A Hiena e o Esquilo. A Hiena tinha um campo de amendoim e o Esquilo costumava convidar a Lebre para lá irem roubar. Iam todos os dias para o campo da Hiena e ficavam lá a comer- lhe amendoim. Um dia, a Hiena saiu para dar volta do seu campo e reparou que já não havia quase metade da colheita.
Não fez mais nada: foi à procura do caminho por onde os ladrões vinham e quando descobriu armou um laço no meio do caminho, para pegar os que andavam a lhe roubar. Mas a Lebre é esperta. Na vez seguinte aproximou- se com muito cuidado… E acabou por ver o laço foi logo contar o Esquilo:
-Han! Você já viu? A Hiena pôs uma corda para nos pegar. Por isso, agora temos que mudar de caminho. Vamos passar à mancarra do outro lado.
Assim fizeram foram para outro caminho. E puseram a comer amendoim, a comer amendoim, a comer amendoim… de repente viram a Hiena vindo! Esperaram Até que a Hiena chegasse e desataram a correr. Bom… A Lebre, se deu de conta de que a corda o qual a Hiena tinha posto era muito fraca. No dia seguinte voltou e trouxe um Djidiu, combinou com o Djidiu, que quando a Hiena aparecer que começasse a cantar:
Foste Ferida
Solta a mão e corre
O laço da mãe Hiena feriu-te Solta- te e foge
Quando a Hiena chegou perto, o Djidiu iniciou o seu canto- o Djidiu era o Esquilo. A Lebre começou a correr e meteu- se dentro do laço tchurup! O laço apanhou- a imediatamente. Mas como o laço era fraco, ela esperneou, esperneou, tanto esperneou que acabou por cortar a corda fap! Desatou a correr e desapareceu. Tempos mais tarde… A Lebre voltou aparecer.
A Hiena pôs outro laço e nada. A Hiena, que é burra se farta , naquele tempo não havia cordas boas e o algodão que quando molha um bocadinho só, parte- se é o que A Hiena torceu e fez o laço. A Lebre apareceu e viu que o laço era feito de algodão torcido.
Voltou para o Djidiu:
-Bom já começar a tocar, assim que ela surgir, quando o Djidiu viu a Hiena começou logo os toques:
Foste Ferida
Solta a mão e corre
O laço da mãe Hiena feriu-te Solta- te e foge
A Lebre começou a correr outra vez e meteu o pé no laço. O laço prendeu- a logo.
Esperou a Hiena se aproximar, esperneou um bocado partiu a corda e foi à sua vida.
A Hiena pensou, pensou até que… um dia foi à procura de arame, enrolou- o muito bem em algodão mesmo até em cima e colocou no caminho.
A Lebre chegou, não deu muita atenção, só viu o algodão e disse logo;
-Éé! Hoje vou partir esta corda mais rápido, ela nem se quer torceu. Vou esperar até ela chegar mesmo perto de mim para começar a correr e meter-me lá dentro da mata. O Esquilo também comia no outro lado, quando reparou que tinha que pôr a tocar. A Hiena já estava em cima deles.
O Esquilo fugiu logo, nem tempo teve para tocar. arrancou também pôs o pé no laço tchurup! O arame prendeu- a. Aí! Ela bem sacudia, mas não havia maneira de conseguir soltar- se… A Hiena aproximou- se, agarrou- a bem e disse:
-Sobrinha ! Peguei você. A Lebre respondeu:
-Ah, tia, agora que você disse uma verdade!
A Hiena disse;
-Vamos.
Carregou a Lebre à cabeça e levou- a para casa. Ao chegar em casa a Hiena acendeu o fogo. Quando as lenhas já tinham acabado de arder e formaram- se uma brasa gigantesca. Foi nessa altura que a Hiena foi buscar a Lebre para deitar ao Lume. A Lebre ela:
-Eh tia, para onde é que você está me levando?
-Para dentro daquele fogo que você está a ver, naquelas brasas é ali que vou colocar- te.
-Tchi!- disse a Lebre.
-Não precisava se preocupar tanto! Se tivesse me explicado há muito tempo, não teria tido esse trabalho todo, carregar lenhas, queimar isso tudo… Olha bem como os meus olhos são vermelhos. Você está a ver?
-Sim, - respondeu a Hiena.
- Bom, é que eu nasci no fogo. Se me colocar aí, não vai acontecer nada comigo. O melhor é me colocar no capim, aí sim, o relento da cabo de mim. A Hiena burra, não deitou a Lebre ao fogo e foi lançá-lo no capim. Mal caiu no capim a Lebre deu um salto e fugiu enquanto dizia:
-Bom, tia, então até qualquer dia.
Esse conto, “É no fogo que eu nasci”, é também da tradição oral africana, muito provavelmente da África Ocidental (Guiné-Bissau, Senegal ou mesmo região mandinga). A presença da Lebre (símbolo de astúcia, malícia e sobrevivência), da Hiena (representando a ingenuidade, a teimosia e a burrice) e do Esquilo/Djidiu (um cúmplice mais ingénuo que serve de apoio à Lebre) é um padrão típico das fábulas africanas. O episódio final, em que a Lebre engana a Hiena dizendo que nasceu no fogo, é praticamente idêntico ao famoso conto afro-diaspórico do “Br’er Rabbit e o Tufo de Silvas”, preservado nos Estados Unidos e no Caribe, mas de origem africana — o truque é sempre convencer o inimigo a atirá-lo para o lugar onde, na verdade, ele consegue escapar. Isso confirma que estamos diante de um conto anónimo, transmitido pela oralidade, com raízes profundas na cultura africana. (grifo nosso)
MORAL DA HISTÓRIA
A inteligência e a esperteza podem derrotar a força bruta quando usadas com astúcia; mesmo diante da morte certa, a Lebre sobreviveu porque conseguiu manipular a ignorância da Hiena. A lição é que, quem não pensa por si e acredita em tudo o que ouve, acaba sendo enganado; já quem usa a mente, pode escapar das situações mais difíceis. (grifo nosso)
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