Provérbio: “Uma vara sozinha quebra-se facilmente, mas dez varas juntas ninguém consegue partir.”
Na aldeia de Kitala,
situada entre colinas verdes e o rio Zambeze, vivia o velho Soba Kafumo.
Já não tinha a força de antes, mas conservava a sabedoria que guiava seu povo.
Ele tinha dez filhos, cada um com sua personalidade: uns fortes, outros
habilidosos, outros teimosos. Mas havia um problema — brigavam entre si
constantemente.
As discussões
eram sobre tudo: a divisão da caça, o uso do campo de cultivo, até mesmo quem
deveria carregar a tocha durante as festas. O soba, preocupado, sabia que sua
morte se aproximava e temia deixar a aldeia entregue a filhos desunidos.
Certa tarde,
quando o sol descia pintando de vermelho o horizonte, os irmãos começaram mais
uma briga. Chilombo, o mais velho, acusava Katende, o segundo, de
ter tomado mais milho do celeiro. Mulaza, o terceiro, ria com desprezo,
enquanto os mais novos gritavam para tomar partido.
O tumulto cresceu até que o soba, cansado, ergueu
a voz:
— Silêncio! Vocês, que nasceram do mesmo ventre, comportam-se como inimigos da
floresta. Não percebem que a desunião é a porta pela qual os estrangeiros
entram para dominar?
Os filhos se
calaram, mas seus corações continuavam cheios de orgulho.
Na manhã
seguinte, o soba chamou todos diante da casa do conselho. Trouxe consigo um
feixe de dez varas, amarradas com uma corda de fibra de palmeira.
— Quem dentre
vocês é o mais forte? — perguntou.
Chilombo ergueu o
peito e disse:
— Eu, pai.
O soba entregou-lhe o feixe:
— Então quebra estas varas.
O jovem
aplicou toda a sua força. Segurou de um lado, tentou dobrar, tentou partir com
o joelho. Suava, mas as varas permaneceram firmes.
— Se o mais
forte não consegue, tentem os outros.
Um a um, os
filhos tentaram. Katende, com seus músculos de caçador; Mulaza,
com astúcia; até os mais novos, que riam ao tentar. Nenhum conseguiu partir o
feixe.
Então o soba desamarrou a corda e entregou uma
vara a cada filho.
— Agora, quebrem.
Num instante,
o estalo ecoou no ar. Cada um partiu sua vara sem esforço.
O soba levantou a voz:
— Vocês viram? Unidos, são fortes como este feixe de varas. Separados, são
frágeis e facilmente vencidos. Quando eu partir para a morada dos ancestrais,
se permanecerem desunidos, outros povos os dominarão. Mas se ficarem juntos,
nem a fúria do rio, nem a força da montanha os destruirá.
Os filhos
abaixaram a cabeça, envergonhados. Pela primeira vez, compreenderam a gravidade
da desunião.
Alguns dias
depois, a aldeia foi atacada por ladrões vindos de outra região. Normalmente,
os irmãos teriam brigado entre si para decidir quem lideraria a defesa. Mas
dessa vez, lembraram-se das palavras do pai.
Chilombo
assumiu a linha da frente com sua lança. Katende coordenou os jovens caçadores.
Mulaza orientou as armadilhas nas trilhas. Os mais novos levaram mensagens e
água para os guerreiros.
Unidos,
repeliram os invasores. A aldeia cantou vitória, e os filhos do soba perceberam
na prática que a união era mais forte que qualquer espada.
No fim de sua
vida, o velho Kafumo reuniu os dez diante da fogueira.
— Não deixem que o orgulho ou a inveja destruam os laços de sangue. Cada um de
vocês é uma vara; juntos são um feixe. A aldeia depende de vossa união.
Depois dessas
palavras, fechou os olhos e partiu em paz.
Os irmãos,
chorando, enterraram o pai ao lado do baobá sagrado e juraram nunca mais deixar
que a discórdia os dividisse. Mantiveram o feixe de varas intacto como símbolo
da família.
Com o tempo, o
povo de Kitala prosperou, pois os dez filhos governaram em conselho, como dedos
de uma mesma mão.
MORAL DA HISTÓRIA
Analiticamente, o conto reforça a importância de ensinar aos jovens que o respeito mútuo e a colaboração não são apenas virtudes morais, mas estratégias práticas de sobrevivência e prosperidade coletiva.
Moral resumida: “A força de uma comunidade está na união de seus membros; sozinho, o
homem é frágil, mas junto à família e à aldeia, torna-se inquebrável.”
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