NARRAÇÃO

terça-feira, 2 de setembro de 2025

58 - O MENINO SENE


Era uma vez, numa tabanca distante vivia um jovem com a sua mãe, ele era o filho único. Certo dia os jovens da sua tabanca saíram para queimar a mata na outra parte da aldeia, levaram arroz na esperança de encontrarem um animal na caça durante a queimação, para servir de acompanhante de arroz. Mas, não foi o caso, pois os animais tinham fugido da mata para arrumar um outro abrigo.

Eles caçaram, só conseguiram, um animal eram muitos, porque todos os jovens da aldeia foram nesse acampamento, a carne da caça não daria para todos, logo, o superior deles falou assim:

-Vamos ter que matar uma pessoa para podermos acrescentar a carne, porque a carne não vai dar para todo mundo. Quando ele falou isso, todo mundo começou a brigar, pois

ninguém queria que o seu irmão ou irmã fosse morto para aumentar na carne da caça. Quando uma pessoa falava:

-Vamos matar fulano!

O irmão daquela pessoa não deixava que matassem. Nessa reviravolta, tinha uma pessoa que falou assim:

-Por que não vamos matar o Sene?

Como falei antes, o Sene era filho único, não tinha ninguém para lhe defender, todos concordaram para matá-lo. Chegou a hora de voltar para a tabanca, estavam todos preocupados, em como iriam levar a notícia na comunidade de que mataram o Sene! Resolveram dar a notícia antes de voltarem à tabanca. Botaram uma peneira cheia de arroz, cada pássaro que passava por perto eles o chamavam e faziam a proposta de levar notícia para a comunidade, muitos passaram, mas, não podiam cantar bem, até que passou um Pavão por perto, eles chamaram logo.

Explicaram ao Pavão tudo o que tinha passado, ela disse que podia levar a notícia, deram-lhe aquela peneira de arroz para comer, ao terminar de comer ele deu um grito:

- Kun’há, kun’há, kun’há! Saiu voando a tabanca, todas as mulheres tinham um lugar onde machucavam o arroz com um pilão e machucador para descascar, elas estavam lá, tinha umas árvores, elas ficavam debaixo delas para não pegarem o sol, pois faziam essa atividade no período da tarde.

O Pavão foi direto para lá, pousou numa árvore, começou a cantar: - Kun’há, kun’há, kun’há!

-Fomos caçar na outra margem da cidade, kuan’ah áh dé kun’ah, conseguimos uma caça, acrescentamos ela com o Sene, kuan’ah áh dé, kun’ah, Sene óh Sene Basangue, kuan’ah áh dé kun’ah!

Tinha uma menina que estava debaixo da árvore com as mulheres, machucando arroz, ele disse para elas escutem, esse pássaro está contando e chamando o nome do Sene, elas falaram logo para ela mentira como é que o pássaro sabe chamar o nome das pessoas!

O pássaro começou a cantar de novo elas escutaram, logo, começaram a chorar a Nhali mãe do falecido Sene, falou que vão ter que devolver o seu filho.

Os mais velhos da tabanca lhe consolaram, pois, cada mãe que os mais velhos falavam para devolver o filho para ela, as mães se negavam, ela acabou por se conformar com a perda.

 

 O conto “O Menino Sene” tem origem na tradição oral africana, especialmente nas comunidades da Guiné-Bissau, onde aves e animais são frequentemente usados como intermediários de justiça ou mensageiros na narrativa popular. Por ser um relato tradicional, não há um autor específico identificado. (grifo nosso)

 

 MORAL DA HISTÓRIA

A narrativa ensina sobre a importância da empatia, da responsabilidade coletiva e do valor da vida de cada indivíduo. Tentativas de injustiça ou decisões precipitadas, como escolher alguém para sofrer pelo grupo, podem ser confrontadas pela intervenção da sabedoria ou da natureza, mostrando que toda vida merece respeito e proteção. (grifo nosso)

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