Era uma vez, numa tabanca distante vivia um jovem
com a sua mãe, ele era o filho único. Certo dia os jovens da sua tabanca saíram
para queimar a mata na outra parte da aldeia, levaram arroz na esperança de
encontrarem um animal na caça durante a queimação, para servir de acompanhante
de arroz. Mas, não foi o caso, pois os animais tinham fugido da mata para
arrumar um outro abrigo.
Eles caçaram, só conseguiram, um animal eram
muitos, porque todos os jovens da aldeia foram nesse acampamento, a carne da
caça não daria para todos, logo, o superior deles falou assim:
-Vamos ter que matar uma pessoa para podermos
acrescentar a carne, porque a carne não vai dar para todo mundo. Quando ele
falou isso, todo mundo começou a brigar, pois
ninguém queria que o seu irmão ou irmã fosse morto
para aumentar na carne da caça. Quando uma pessoa falava:
-Vamos matar fulano!
O irmão daquela pessoa não deixava que matassem.
Nessa reviravolta, tinha uma pessoa que falou assim:
-Por que não vamos matar o Sene?
Como falei antes, o Sene era filho único, não
tinha ninguém para lhe defender, todos concordaram para matá-lo. Chegou a hora
de voltar para a tabanca, estavam todos preocupados, em como iriam levar a
notícia na comunidade de que mataram o Sene! Resolveram dar a notícia antes de
voltarem à tabanca. Botaram uma peneira cheia de arroz, cada pássaro que
passava por perto eles o chamavam e faziam a proposta de levar notícia para a
comunidade, muitos passaram, mas, não podiam cantar bem, até que passou um Pavão
por perto, eles chamaram logo.
Explicaram ao Pavão tudo o que tinha passado, ela
disse que podia levar a notícia, deram-lhe aquela peneira de arroz para comer,
ao terminar de comer ele deu um grito:
- Kun’há, kun’há, kun’há! Saiu voando a tabanca,
todas as mulheres tinham um lugar onde machucavam o arroz com um pilão e
machucador para descascar, elas estavam lá, tinha umas árvores, elas ficavam
debaixo delas para não pegarem o sol, pois faziam essa atividade no período da
tarde.
O Pavão foi direto para lá, pousou numa árvore,
começou a cantar: - Kun’há, kun’há, kun’há!
-Fomos caçar na outra margem da cidade, kuan’ah áh
dé kun’ah, conseguimos uma caça, acrescentamos ela com o Sene, kuan’ah áh dé,
kun’ah, Sene óh Sene Basangue, kuan’ah áh dé kun’ah!
Tinha uma menina que estava debaixo da árvore com
as mulheres, machucando arroz, ele disse para elas escutem, esse pássaro está
contando e chamando o nome do Sene, elas falaram logo para ela mentira como é
que o pássaro sabe chamar o nome das pessoas!
O pássaro começou a cantar de novo elas escutaram,
logo, começaram a chorar a Nhali mãe do falecido Sene, falou que vão ter que
devolver o seu filho.
Os mais velhos da tabanca lhe consolaram, pois,
cada mãe que os mais velhos falavam para devolver o filho para ela, as mães se
negavam, ela acabou por se conformar com a perda.
A narrativa ensina sobre a importância da empatia,
da responsabilidade coletiva e do valor da vida de cada indivíduo. Tentativas
de injustiça ou decisões precipitadas, como escolher alguém para sofrer pelo
grupo, podem ser confrontadas pela intervenção da sabedoria ou da natureza,
mostrando que toda vida merece respeito e proteção. (grifo nosso)
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