NARRAÇÃO

terça-feira, 2 de setembro de 2025

59 - MULHER E UMA COXA DE BOI

 

Havia uma tabanca, onde moravam uma mulher e o seu marido, ela subestimava o marido em tudo o que fazia. Chegou a época célebre em que cada aldeia tinha a sua data de fazer uma festa. Todos os homens da tabanca tinham que ir caçar, o homem dessa senhora foi, mas ele não conseguiu encontrar nenhum animal, todos os outros encontraram, ao voltar em casa, disse a sua esposa:

-Não encontrei a caça...

A mulher começou a brigar com ele, - todos os homens da cidade encontraram a caça menos você!

Seu inútil. Nunca consegue fazer algo, se eu for agora à procura mesmo que for no caminho de fonte vou encontrar carne.

Um espírito a escutou, quando ela foi para a fonte pegar água, na volta ela encontrou uma Coxa de Boi bem grande. Mas, ela não sabia que era um espírito que tinha se transformado numa Coxa, esse espírito é aquele que tinha lhe escutado quando estava brigando com o marido. Ela ficou feliz em ver aquela coxa, pegou nela e levou pra casa. Ao chegar em casa viu o marido sentado, disse logo:

-Viu, não te falei que eu ia encontrar carne mesmo que fosse aqui no caminho de fonte! O marido disse:

-Está bom já que encontrou prepara só.

Ela pegou numa faca, começou cortar a Coxa, a Coxa pegou na faca, cortou ela, ela disse:

-Ei! Pegou na faca, cortou de novo, a Coxa devolveu, ela desistiu, deixou a Coxa num canto da casa.

À noite, ela e o marido quando estavam se preparando para dormir, a Coxa veio e disse para ela:

-Eu vou dormir com vocês.

Ela ficou sem o que dizer, a Coxa subiu na cama e deitou- se no meio. Todos os dias fazia a mesma coisa, os vizinhos dessa senhora vivenciavam a situação começaram a comentar, “ela vivia subestimando o marido até ao ponto de trazer uma desgraça em casa, ela agora ela tem que aguentar tudo isso em casa, assim nunca mais vai reclamar com ele”.

A mulher não estava mais aguentando a situação. Ela decidiu planejar uma fuga, falou para o marido que fugissem da cidade, ele aceitou. Arrumaram suas coisas sem que a Coxa percebesse, decidiram fugir a noite na hora que a Coxa fosse dormir. A noite a Coxa que não estava sabendo de nada, ficou com sono foi dormir. Os dois pegaram nas suas coisas e saíram da cidade. Quando estavam um pouco longe da cidade, a mulher lembrou que esqueceu a sua colher de pau que ela disse que não podia deixar ficar teria que ir buscá-lo.

O marido disse a ela:

-Vamos assim que chegarmos na outra cidade vou fazer outra colher, ela disse:

-Não posso deixar essa colher porque ela é que faz a minha comida ficar gostosa, eu vou buscar. Ela regressou para casa, ao chegar foi direto para onde ela guardou a colher. A casa dessa senhora era de barro, não tinha paredes muito altos, ela tinha botado a colher entre o telhado e a parede de casa, como estava com muita pressa, ela puxou a colher, mas, não tinha lhe agarrado com muita força, a colher caiu e fez um barulho acordou a Coxa.

A Coxa assustada viu a mulher e disse-lhe: - ah!

Vocês iam fugir pra me deixar aqui sozinha?

A mulher ficou sem palavras, a Coxa disse: vai me levar nas costas. Ela pegou a colher e botou a Coxa nas costas, fora ao encontro do marido. Ao chegarem o marido viu que ela tinha levado a Coxa, ele disse:

É! É! É! Você a trouxe de novo? A esposa disse:

-Quando eu puxei a colher, caiu fez barulho que acordou ela.

Os três continuaram suas caminhadas passaram o dia todo caminhando, como naquele período era de celebração das festas nas cidades, estava tendo festa naquela cidade, chegaram a noite, estavam de passagem, viram a festa, todo mundo dançando no centro da cidade, decidiram assistir as danças um pouco para depois passar. A Coxa, que estava na costa da mulher, disse para mulher para lhe descer queria dançar um pouco, a mulher sem excitar, a deixou para dançar.

A Coxa estava gostando da música, ficou empolgada na dança, a mulher e seu marido perceberam logo que ela estava amando a música, ela disse ao marido:

-Vamos fugir sem que ela perceba. Os dois fugiram, quando estavam bem longe daquela cidade, a Coxa percebeu a ausência, começou a lhes procurar, mas não encontrou, disse:

-A! Ela teve sorte, nunca mais vai subestimar o seu marido!

 

 O conto “Mulher e uma Coxa de Boi” é de origem oral africana, possivelmente das tradições populares da Guiné-Bissau ou de outras regiões de língua crioula, transmitido de geração em geração. Não há um autor específico, pois trata-se de narrativa tradicional que reflete costumes e valores comunitários. (grifo nosso)

 

 MORAL DA HISTÓRIA

A narrativa mostra que a arrogância e o desprezo podem trazer consequências inesperadas. Subestimar os outros, especialmente aqueles próximos, pode gerar situações complicadas e até perigosas. A lição é que o respeito e a consideração pelos outros, mesmo em pequenas tarefas, são essenciais, e que a humildade e a cooperação podem evitar problemas e desastres desnecessários. (grifo nosso)

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