NARRAÇÃO

terça-feira, 2 de setembro de 2025

60 - N’BANGASADI & DJAMONDI

 

Havia um homem que era casado com duas mulheres, a primeira se chamava N’bangasadi, a segunda era Djamondi, desde o momento que o homem casou-se com a segunda esposa, ele parou de dar atenção à primeira, ela passou a ser isolada, tudo o que o marido queria pedia para a Djamondi, ela é que organizava tudo em casa, a N’bangasadi ficava triste mas não sabia o que fazer, ele era o seu marido, ela tinha que aguentar com aquela traição na sua cara. O marido delas era caçador, certo dia ele foi caçar, no caminho da mata viu uma árvore que tinha frutas maduras caídos no chão, ele apanhou e levou para casa, passando alguns dias ele voltou de novo para apanhar as frutas, encontrou com uma Onça, ele não sabia que as frutas daquela árvore eram comidas pela Onça. Quando viu a Onça, ele decidiu combinar com ela para matar a sua primeira esposa N’bangasadi, pois ele não queria mais ela, e queria se livrar dela de qualquer jeito, achou por bem que fosse dessa forma iria resolver tudo.

O homem falou para a Onça:

-Amanhã de madrugada, virá aqui uma mulher, assim que ela chegar pode comer ela, Onça falou: - tudo bem. O homem apanhou as frutas e voltou para casa, ao chegar em casa chamou a primeira esposa, ela foi responder, a Djamondi, ficou muito curiosa em saber porque será que o seu marido chamou a N’bangasadi e não ela, se escondeu atrás da porta para escutar o que o marido vai dizer a outra. O marido falou para N’bangasadi que:

-Quando eu estava vindo da mata, encontrei um pé de frutas, num local tinha muitas frutas maduras só não peguei porque estava muito cansado, queria que fosse apanhar pra mim amanhã bem cedinho. Ela sem recusar falou: - certo irei.

Eles não sabiam que a Djamondi estava a escutar atrás de porta, antes de nascer do sol a Djamondi saiu para o caminho da mata, ela foi apanhar frutas, porque queria agradar o seu marido, pois ela era a preferida dele, como é que ele foi pedir esse favor logo na N’bangasadi e não nela! O que ela não sabia é que o marido estava tramando para a primeira esposa. Ao chegar na árvore, viu a Onça sentado à espera talvez da N’bangasadi, ou dela, mas como a Onça não conhecia nenhuma das duas partiu por cima dela logo, à matou.

Ao amanhecer, a N’bangasadi saiu para ir percebeu que a outra já tinha ido, ela desistiu de ir logo, pegou na vassoura começou a passar pela casa, o marido saiu de dentro viu ela fazendo limpeza pela casa, entusiasmado perguntou a ela: - N’bangasadi, por que você não foi apanhar a fruta? Ela respondeu calmamente: - Quando acordei, percebi que a Djamondi já tinha ido, porque ela nos ouviu ontem, quando você estava a falar comigo, desisti de ir logo. O marido assustado falou: - É, É, É! Ela perguntou para ele, - o que foi? Respondeu: Nada.

Ele desceu para o caminho da mata, ao chegar encontrou a Onça do pé da fruta falou logo: - Não era ela que você tinha que matar era a outra, ela nos escutou ontem quando eu estava a falar com a outra, e veio logo de madrugada. A Onça falou para ele: - Mas você não me falou quem eu deveria comer, só me disse que vinha uma mulher hoje, por isso que comi ela. O homem saiu chorando no caminho de volta para casa, ao chegar em casa ele chamou a outra: - N’bangasadi, Djamondi está morta! Queria que fosse você, mas ela é que foi comida. N’bangasadi gritou: - Ei! A que ponto chegamos! Você não gosta de mim até ao ponto de me desejar a morte! Você combinou com a Onça para me matar. Agora a sua preferida é que morreu, pois, senhor Deus não deixou isso acontecer.

A família da N’bangasadi fora para casa dela, fizeram uma confusão danado com o marido, os vizinhos vieram acalmar a confusão, conversaram com o marido da N’bangasadi e ele pediu perdão a sua esposa e viveram juntos para sempre.

 

 O conto “N’Bangasadi & Djamondi” é de origem oral africana, provavelmente do conjunto de narrativas populares da Guiné-Bissau ou de regiões vizinhas de tradição crioula. Por ser uma história tradicional transmitida de geração em geração, não há um autor específico, pois reflete a sabedoria coletiva e valores culturais locais. (grifo nosso)

 

 MORAL DA HISTÓRIA

 A narrativa ensina que a maldade, a inveja e a traição tendem a se voltar contra quem as pratica. Planejar o mal para prejudicar alguém pode resultar em consequências inesperadas e desfavoráveis. A lição é que a justiça divina ou natural protege os inocentes, e que a honestidade, paciência e prudência prevalecem sobre a malícia e o egoísmo. (grifo nosso)

 

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