Provérbio: “A galinha que se afasta do grupo torna-se refeição da raposa.”
No calor
dourado da tarde africana, a aldeia respirava a tranquilidade da savana. Entre
as palmeiras e o cheiro da terra seca, ciscava Zuri, uma galinha de
penas brancas como nuvens de verão. Ela sempre se afastava das outras, altiva,
exibindo suas penas brilhantes.
— Eu sou mais
bela, mais forte e mais esperta que todas — murmurava Zuri, enquanto caminhava
sozinha. — Não preciso me misturar com essas galinhas comuns.
As companheiras a observavam de longe,
preocupadas.
— Fica perto, irmã! — alertavam. — A raposa ronda a aldeia.
Mas Zuri
ignorava os avisos. Ela caminhava com passos leves, balançando o pescoço
orgulhosamente, convencida de que nenhuma raposa ousaria desafiá-la.
A tarde
avançava, e o sol começava a se esconder atrás das árvores altas. Zuri ciscava
distraída, suas garras cavando na terra seca. Então, entre a relva, surgiu uma
sombra silenciosa. Um leve movimento chamou sua atenção, mas era tarde
demais: a raposa, ágil e silenciosa como o próprio vento, saltou do mato.
— Ahhh! —
cacarejou Zuri, tentando fugir. Mas a raposa, rápida como a luz, agarrou-a e
desapareceu entre as árvores. O mundo da galinha orgulhosa se encheu de medo e
arrependimento em segundos.
As galinhas do
galinheiro, ao ouvirem o último cacarejo de Zuri, suspiraram em pesar.
— Ela não quis ouvir, — disse uma delas. — O orgulho a levou a perder a
proteção do grupo.
A raposa levou
Zuri até uma toca escondida entre raízes e pedras. Mas, curiosamente, em vez de
devorá-la de imediato, observava a galinha com um olhar atento, quase admirado.
Zuri, tremendo de medo, percebeu que sua vaidade e teimosia a haviam colocado em
perigo, e que seu isolamento custara caro.
— Eu fui tola
— murmurou Zuri para si mesma. — Fiquei convencida de que era superior, mas a
raposa mostrou que nada sou sem meus companheiros.
Enquanto a
noite caía sobre a savana, a raposa percebeu que a lição havia sido aprendida.
Ela deixou Zuri retornar ao galinheiro, fatigada, mas viva. Ao atravessar a
relva sob a luz da lua, Zuri prometeu nunca mais se afastar sozinha.
No dia
seguinte, reuniu-se com as outras galinhas e caminhou lado a lado com elas,
aprendendo que a união protege e que o orgulho pode ser mais perigoso que
qualquer predador.
MORAL DA HISTÓRIA
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