O velho Sepu de cabelos brancos, pele enrugada e corpo já curvado pelo peso de muitos anos- tantos, que até já perdeu a conta, o velho caminhava vagarosamente pelas ruas da tabanca, apoiado a uma pequena bengala, que é a sua boa companheira de todos os momentos. Durante o seu caminhar, pára várias vezes.
Depois, toma novo alento e prossegue a sua marcha, lenta e despreocupada, pois não tem pressa de chegar ao destino. Percorrem a tabanca de ponta em ponta, várias vezes por dia, embora não tenha qualquer obrigação de o fazer. É que ele gosta de passear e, por isso, percorreu demoradamente os sítios em que se sente mais confortável, observando as crianças mais limpas e cuidadas, os locais onde os homens grandes da tabanca costumam conversar, após a jornada de trabalho.
As crianças gostavam muito dele e, sempre que o vêem, ao longe, correm em sua direção, gritando alegremente:
- Tio Sepu! Tio Sep!
Então, o velho Sepu, cujo rosto irradia uma enorme satisfação, senta- se junto de uma frondosa mangueira e fala para as crianças que o rodeiam. Ele conta- lhes lindas histórias da nossa terra e ensina-lhes os belos cantares do nosso povo.
Nas histórias que o velho Sepu conta às crianças, existe sempre a intenção de lhes aconselhar uma educação e a prática de boas atitudes para com toda a gente. Os bons conselhos do velho Sepu, para as crianças são conselhos de quem tem uma longa experiência da vida, para quem agora começa a despontar para a própria vida.
Noutros tempos, quando ainda podia trabalhar, o velho Sepu era agricultor e, nas horas vagas fazia trabalho de artesão. Mas, hoje, o seu corpo já perdeu a força para os trabalhos de campo e os dedos dantes muito hábeis, mostram- se agora incapazes de fazer belos trabalhos de artesanato, como antigamente.
A arte do velho Sepu é, agora, contar belas histórias às crianças. Talvez as histórias que ele ouviu também, quando era criança, a algum velho que, como ele agora, percorria a tabanca de ponta a ponta…
O conto “O Velho Sepu” pertence à tradição oral africana, muito provavelmente da Guiné-Bissau, e não possui autor identificado, sendo transmitido de geração em geração. (grifo nosso)
MORAL DA HISTÓRIA
A narrativa ensina que a experiência e a sabedoria adquiridas ao longo da vida têm grande valor, sobretudo na transmissão de conhecimentos e bons hábitos às gerações mais novas. Mesmo quando as forças físicas diminuem, a influência positiva de um ancião como Sepu permanece viva, mostrando que respeitar e ouvir os mais velhos é fundamental para aprender a viver com ética, paciência e harmonia na comunidade. (grifo nosso)
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