NARRAÇÃO

segunda-feira, 1 de setembro de 2025

56 - SIRÁ E NIMA


Era uma vez, numa tabanca (aldeia) bem distante vivia uma família com duas filhas, a primogênita se chamava Sirá ela e a irmã mais nova, não eram muitas amigas, pois a mais nova morria de inveja da Sirá. Certo dia, a Sirá foi lavar roupa na beira do mar, apareceu um peixe búzio, lhe cumprimentou, nem conseguiu responder por conta do susto que levou, porque nunca tinha visto um peixe a falar.

O peixe disse: - Não tenha medo! Não vou lhe fazer mal algum Ela ficou sem o que dizer e tremendo de medo, o peixe disse:

-O meu nome é Nima, vejo você sempre aqui sozinha e escuto suas cantigas. Gosto das suas cantigas, como é o seu nome?

-O meu nome é Sirá.

Ela citou o nome com a fala toda tremida, o peixe búzio percebeu que ela estava muito assustada e resolveu não chegar perto dela.

-Gosto de você, quero ser o seu amigo.

Ao escutar isso do peixe ela ficou um pouco mais aliviada, percebeu que o peixe não queria lhe fazer mal algum.

-Sim, podemos ser amigos.

A partir daquele dia a Sirá passou a visitar o peixe quando ia lavar roupas. Os dois se apaixonaram e começaram a namorar, cada dia que a Sirá ia visitar o Nima levava farinha de arroz na cabaça quando chegava, tinha a forma como lhe chamava. - Nima, Nima, Nima…

-Ele aparecia comia farinha e se divertiam um pouco, ela voltava para casa ao pôr do sol.

A irmã apreciava o comportamento dela todos os dias, um dia, ela disse a ela que queria ir com ela para o mar, com a intenção de descobrir o que ela fazia todos os dias lá, só que a Sirá conhecia ela e sabia que, se ela descobrisse vai querer fazer algum maldade contra o Nima, falou não, mas, ela insistia até que a Sirá bateu nela, só para lhe fazer desistir no caminho, ela resolveu fingir que voltou para casa.

Mas só que a Sirá não sabia que a sua irmã tinha poder de transformar num inseto, ela se transformou numa mosca, voou e foi pousar em cima da cabaça de Sirá, ela inocente estava muito apressada porque a irmã lhe atrasou um pouco no caminho. Na beira do mar tinha uma árvore, quando chegaram, a irmã se levantou e foi pousar numa folha de árvore onde podia assistir tudo.

A Sirá disse de novo:

-Nima, Nima, Nima...

Ele apareceu, ela deu a farinha, divertiu, a irmã assistiu tudo, voou de volta para casa, quando chegou contou para os pais que a Sirá namora com um peixe no mar, os pais e ela se reuniram para matar o peixe. No dia seguinte, a mãe ordenou a Sirá para ir à mata pegar lenha (madeira), para fazer fogueira a noite, assim que ela saiu a irmã pegou arroz na “Bemba” (depósito), para fazer farinha, “Bemba” é uma espécie baú usam para conservar arroz e outros produtos na tabanca (aldeia).

Botou arroz de molho, depois botou no pilão e machucou com o machucador, ao terminar de fazer farinha, chamou o pai para irem ao mar. Chegaram, e disse como a irmã dizia:

-Nima, Nima, Nima...

O Nima saiu e viu duas pessoas desconhecidas ficou meio desconfiado, mas, a menina lhe ofereceu a farinha na cabaça como a Sirá fazia, ele começou a comer, mas, com muita desconfiança, pois o homem que estava ao seu lado tinha segurado uma catana (facão), ao terminar de comer, ele deu costas para voltar no mar, o homem deu um golpe no pescoço com a catana, ele morreu, levaram o para casa.

Cozinharam, e tiraram a parte da cabeça botaram na comida de Sirá. Quando ela voltou de apanhar lenhas, viu a irmã toda feliz lhe cumprimentou e disse:

-A sua comida está aqui. Ela pegou na comida, tirou a tampa, deu de cara com cabeça, suspeitou logo pois aquela cabeça era parecida com a do Nima, porém, ela não tinha certeza, botou a tampa de volta, e foi direto para “Bemba”, pegou arroz botou de molho machucou no pilão fez farinha, saiu correndo para o mar, a mãe foi atrás dela.

Chegou, e começou a chamar:

-Nima, Nima, Nima!

-Nima, Nima, Nima...

O Nima não apareceu, chamou de novo, só apareciam outros peixes, começou a chorar, e a cantar ao mesmo tempo.

-Nima lé fi dinmi Nima lé, té bu dinma fum... A mãe dizia:

-Sirá, óh gã nalé n’doba lé n’doba gã n’bambol…

Enquanto cantava ela estava descendo a beira mar, a mãe estava lhe consolando e chamando para voltar para casa, mas, ela não a escutava.

Ela desceu no mar cantando essa cantiga até desaparecer na água. Uns dizem que ela se transformou num peixe búzio e odeia ser pescado, para ser capturado o pescador tem que ser muito experiente, pois se defende, e sua característica física tem ainda algumas partes em comum com do ser humano, as fêmeas têm órgão genitais e seios.

 

O conto “Sirá e Nima” pertence à tradição oral da Guiné-Bissau e regiões próximas da África Ocidental. Como muitos contos orais, não possui um autor formalmente identificado, tendo sido transmitido de geração em geração entre as comunidades locais. (grifo nosso)

 

MORAL DA HISTÓRIA

 A narrativa ensina que a inveja e a maldade podem trazer consequências graves, enquanto a amizade verdadeira e a lealdade são valiosas, mas também frágeis diante da crueldade humana. Além disso, mostra que a pureza e a bondade, representadas por Sirá e sua relação com Nima, podem transcender a vida, deixando marcas duradouras na memória coletiva, ressaltando a importância de agir com cuidado, justiça e respeito pelos outros. (grifo nosso)

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