Era uma vez um rei apaixonado por sua rainha. Ela era gordinha e com as bochechas coradas. O tempo passava de forma gostosa. Mas começou a acontecer uma coisa estranha: a rainha ficou misteriosamente doente. Magrinha e com as bochechas descoradas. Ninguém sabia por que a rainha estava assim doente.
Como era muito rico e poderoso, o rei mandou chamar os melhores médicos do mundo. Eles examinaram a enferma, mas não descobriram a causa da doença. O rei, então, mandou chamar os mais poderosos curandeiros. Eles prepararam poções e magias. Mas também não adiantou nada. A rainha emagrecia diariamente. O rei estava desesperado e falou:
- Eu mesmo vou encontrar a cura para a doença da minha rainha.
E lá foi ele pelo seu reino, mas não encontrava nada. Até que passou por uma casa de onde vinham gostosas risadas. O rei se aproximou e olhou para dentro da casa por uma janela. Lá dentro ele viu um casal de camponeses. O camponês mexia os lábios e a camponesa, que era gordinha e corada, não parava de gargalhar. Os olhos dela estavam cheios de felicidade.
O rei começou a pensar e bateu à porta da cabana. O camponês foi atender e levou um susto vendo o monarca na sua porta:
- Majestade! O que o rei, meu senhor, deseja na minha humilde casa?
O rei respondeu:
- Quero saber o que você faz para sua mulher ser tão feliz e saudável?
O homem deu um sorriso:
- Muito simples, rei, meu senhor! Alimento a minha mulher todos os dias com carne de língua!
O rei achou aquilo estranho. Agradeceu ao camponês e foi correndo de volta para o castelo. Chegando lá, mandou chamar imediatamente o cozinheiro real:
- Cozinheiro, prepare já um imenso sopão com carne de língua de tudo que é bicho que você encontrar!
O cozinheiro chamou os caçadores do reino. Depois de um tempo, ele tinha nas mãos línguas de bichos variados: de cachorro, gato, rato, jacaré, elefante, tigre, girafa, lagartixa, tartaruga, vaca, ovelha, zebra, hipopótamo, sapo, coelho… Até língua de formiga! O cozinheiro preparou o sopão e entregou aquele caldo grosso ao rei. O próprio monarca foi alimentar a rainha com carne de língua. Mas a rainha não melhorou. Pelo contrário, piorava a olhos vistos.
Desesperado o rei teve uma ideia: mandou a rainha para a casa do camponês e trouxe a camponesa para o castelo. A troca foi feita. Passou um tempo e a camponesa começou a ficar doente. Emagreceu e ficou pálida. Sem saber o que fazer, o rei resolveu visitar sua rainha na casa do camponês. Ao chegar lá, olhou pela janela e viu que a rainha estava gordinha, corada e gargalhava como nunca se vira antes. O rei bateu à porta e o camponês foi atender:
- Rei, meu senhor, o que deseja?
- Camponês, o que está acontecendo? A sua esposa está doente no meu castelo e a minha rainha está toda feliz e saudável aqui na nossa frente.
Sem entender o camponês perguntou:
- O que o rei, meu senhor, fez?
E o rei respondeu:
- Fiz exatamente o que você mandou. Dei um sopão de carne de língua de um monte de bichos. Mas não adiantou nada!
O homem do campo riu:
- O rei, meu senhor, não entendeu! A carne de língua que eu dava para minha mulher e agora dou para a rainha são as histórias contadas pela minha língua.
O rei entendeu o que era para fazer. Levou sua esposa para o castelo e mandou a camponesa de volta para casa. E passou a contar muitas histórias para a rainha que voltou a ser gordinha e corada.
Os quenianos ensinaram um segredo: As histórias fazem muito bem para as mulheres, para os homens, para as crianças, para os jovens, para os velhos e para todo mundo! Até mesmo para os reis.
Conto Popular do Quênia
Adaptação de Augusto Pessôa
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