NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

41 - A SERPENTE DE KILIMANJARO

 

Provérbio: Nunca rias de uma serpente só porque ela anda sobre sua barriga.”

 Escutem!

Recolham-se junto da fogueira, deixem o vento trazer o eco das montanhas, porque hoje vos conto uma história que nasceu aos pés do gigante Kilimanjaro.

 Havia uma aldeia onde os jovens caçadores se julgavam donos da coragem. Diziam que nada os assustava, que nenhum animal podia vencer a força dos seus braços. Um dia, enquanto caçavam nas savanas quentes, ouviram o farfalhar da relva seca... e viram uma serpente, longa como corda, deslizando sobre a barriga.

 “Ha-ha-ha!”, riram os rapazes.

— “Olhem a rainha sem pernas! Um bicho que rasteja pode ser guerreiro?”

E riram alto, bateram com paus no chão, zombaram até que as árvores sentiram vergonha.

 Mas entre eles havia Sipho, de olhos atentos e coração prudente. Ele ergueu a voz como quem traz sabedoria antiga:

— “Nunca rias de uma serpente só porque ela anda sobre a barriga! Quem ri do fraco sem conhecer a sua força já está meio derrotado.”

 Os outros não ouviram. Continuaram a provocar. E a serpente, ah, a serpente ergueu a cabeça como lança pronta a matar. Num segundo, num sopro, atacou! As presas brilharam como ferro afiado, e um dos rapazes caiu, o veneno queimando-lhe as veias.

 O riso transformou-se em choro. O orgulho em desespero.

Só Sipho correu com passos de vento até ao curandeiro, que triturou raízes amargas e salvou o rapaz.

 Naquela noite, o ancião da aldeia falou, e suas palavras soaram como trovão sobre corações vaidosos:

— “Vocês riram da fraqueza que não era fraqueza. Agora sabem que quem rasteja pode derrubar quem caminha ereto. A força não mora nas pernas, mas no veneno que se guarda, no poder que se esconde.”

 Desde então, naquela aldeia ninguém mais zombou dos que parecem fracos.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 

O provérbio africano “Nunca rias de uma serpente só porque ela anda sobre sua barriga” — lembrado nas tradições da Tanzânia e da África do Sul — ensina que o riso arrogante diante daquilo que parece frágil é caminho rápido para a ruína. O que se subestima hoje pode revelar-se mais poderoso do que imaginamos amanhã. A lição para a vida é clara: não desprezar ninguém pela aparência, condição social ou limitações. Respeitar o outro, mesmo quando parece pequeno ou diferente, é sinal de prudência. A arrogância leva ao erro; a humildade salva.

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