NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

40 - O BANQUETE DE MURIITHI

 

Provérbio: Aquele que come sozinho morre sozinho.”

 Na planície fértil de Nyeri, no Quénia, vivia Muriithi, um agricultor próspero. Plantava milho, feijão e mandioca em terras largas, e a sua colheita era sempre a mais farta da aldeia. Mas Muriithi tinha um defeito: comia sozinho. Enquanto outros partilhavam os pratos de ugali e verduras ao redor da fogueira, ele fechava-se em sua cabana, devorando carne e leite sem oferecer nada a ninguém.

Os vizinhos cochichavam:

— “Um homem que não reparte o pão não terá amigos quando a fome chegar.”

 Um ano de seca caiu sobre a região. O sol queimava os campos, o milho morreu ainda verde, e os celeiros ficaram vazios. Muriithi tinha armazenado bastante para si, mas os ratos invadiram os sacos e a comida apodreceu. Desesperado, saiu à procura de ajuda, mas ninguém lhe abriu a porta. Bateu na casa de Kamau, seu vizinho:

— “Dá-me água, dá-me comida, meu amigo!”

Kamau respondeu:

— “Amigo? Quando comias sozinho, onde estava a tua amizade? O provérbio diz: aquele que come sozinho morre sozinho.”

 Muriithi caiu em lágrimas. Percebeu tarde demais que a abundância não vale nada sem partilha. No último suspiro, murmurou:

— “A barriga cheia não salva um homem solitário.”

 

MORAL DA HISTÓRIA

 

O provérbio queniano “Aquele que come sozinho morre sozinho” recorda que a vida comunitária é a verdadeira segurança do ser humano. A riqueza individual, quando não é partilhada, torna-se fraqueza; já a partilha cria laços que sustentam em tempos de dificuldade. Na prática, devemos cultivar a generosidade: dividir comida, conhecimento, apoio e tempo com os outros. O que damos fortalece a comunidade e volta para nós multiplicado. Egoísmo é pobreza disfarçada; partilha é riqueza eterna.

Sem comentários:

Enviar um comentário