NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

49 - O ELEFANTE QUE LEMBRAVA


Provérbio: “Um elefante não esquece de carregar suas presas.”

 

Nas planícies do Amboseli, a seca era severa. A grama sumira, os rios secaram e até os leões, acostumados à caça farta, caminhavam fracos pelo pó.

A manada de elefantes, liderada pelo sábio Mtemi, precisava encontrar água. Muitos estavam cansados, especialmente as crias que tropeçavam no caminho árido.

Alguns jovens elefantes resmungaram:

— Deixemos os fracos. Apressamos o passo, e quem não aguentar que fique.

Mtemi parou, bateu as orelhas largas contra o vento e respondeu com firmeza:

— Um elefante não esquece de carregar suas presas. A memória de um caminho só vale se todos chegarem ao destino. Um líder que esquece os que ficam para trás não é digno da sua manada.

Então, com a tromba, ajudou os filhotes a levantarem-se, apoiou os mais velhos e fez a manada andar unida. Depois de dias de caminhada, guiado pela memória de uma rota antiga ensinada por seus ancestrais, encontrou um lago escondido entre rochedos. Toda a manada bebeu e sobreviveu.

Quando os jovens perguntaram por que ele se sacrificara pelos mais lentos, Mtemi disse:

— O mais forte não se mede pela velocidade, mas pela capacidade de levar todos consigo. A força que abandona é fraqueza disfarçada; a força que lembra e sustenta é verdadeira grandeza.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 O provérbio ensina que responsabilidade é inseparável da memória. Tal como o elefante não esquece suas presas, nós não podemos esquecer aqueles que dependem de nós — filhos, pais, irmãos, vizinhos, comunidade.

No contexto africano, a sobrevivência sempre veio da solidariedade: quem lembra de si, mas esquece dos outros, condena a todos; quem lembra de todos, salva até a si mesmo.

Sem comentários:

Enviar um comentário