Provérbio: “Um elefante não esquece de carregar suas presas.”
Nas planícies do Amboseli, a seca era severa. A grama sumira, os rios secaram e até os leões, acostumados à caça farta, caminhavam fracos pelo pó.
A manada de elefantes, liderada pelo sábio Mtemi, precisava encontrar água. Muitos estavam cansados, especialmente as crias que tropeçavam no caminho árido.
Alguns jovens elefantes resmungaram:
— Deixemos os fracos. Apressamos o passo, e quem não aguentar que fique.
Mtemi parou, bateu as orelhas largas contra o vento e respondeu com firmeza:
— Um elefante não esquece de carregar suas presas. A memória de um caminho só vale se todos chegarem ao destino. Um líder que esquece os que ficam para trás não é digno da sua manada.
Então, com a tromba, ajudou os filhotes a levantarem-se, apoiou os mais velhos e fez a manada andar unida. Depois de dias de caminhada, guiado pela memória de uma rota antiga ensinada por seus ancestrais, encontrou um lago escondido entre rochedos. Toda a manada bebeu e sobreviveu.
Quando os jovens perguntaram por que ele se sacrificara pelos mais lentos, Mtemi disse:
— O mais forte não se mede pela velocidade, mas pela capacidade de levar todos consigo. A força que abandona é fraqueza disfarçada; a força que lembra e sustenta é verdadeira grandeza.
MORAL DA HISTÓRIA
No contexto africano, a sobrevivência sempre veio da solidariedade: quem lembra de si, mas esquece dos outros, condena a todos; quem lembra de todos, salva até a si mesmo.
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