NARRAÇÃO

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

48 - O CAÇADOR DE UM OLHO

 

Provérbio: “Um só olho engana seu dono.”

 

Na aldeia de Kisumu, vivia um jovem caçador chamado Baraka. Durante uma caçada, perdeu um dos olhos ao enfrentar um javali. Desde então, via o mundo apenas de um lado.

Certo dia, ao atravessar a savana, Baraka avistou um bando de pássaros coloridos. Do seu ângulo, pareciam estar todos juntos, formando uma nuvem magnífica. Ele pensou:

— Eis aqui uma boa oportunidade de caçar muitos de uma vez só.

Armou sua flecha e disparou. Mas, ao aproximar-se, percebeu que não havia grande bando: eram apenas dois pássaros refletidos no lago. O seu único olho enganara-o.

Triste, voltou para a aldeia e contou a história ao velho ancião Mzee Juma, que lhe disse:

— Filho, um só olho engana seu dono. A verdade raramente se revela inteira de um lado só. Assim também é na vida: quem escuta apenas uma voz, quem julga apenas por uma impressão, quem decide sem procurar outra visão, acabará iludido.

Baraka compreendeu. Desde esse dia, sempre que ia caçar ou tomar decisões, pedia a outro caçador que o acompanhasse, para que tivesse uma segunda visão além da sua. Tornou-se mais sábio do que antes, pois aprendeu que a falta de um olho pode ser compensada com a partilha de olhos alheios.

 

MORAL DA HISTÓRIA

 O provérbio queniano ensina que nenhum olhar é suficiente por si só. A vida é feita de perspectivas, e quando nos apoiamos apenas na nossa visão limitada, caímos no erro.

No contexto africano, onde a sabedoria é coletiva, a lição é clara: a verdade plena só se encontra na soma das visões, na escuta dos outros e na humildade de reconhecer os nossos limites.

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