Isso aconteceu na cidade onde o rei Mborakinda, adorado por todos, vivia com suas esposas e filhos.
Mborakinda amava muito sua filha
Ilâmbe. Tentava agradá-la de todas as maneiras possíveis e a cercava de
criados. Quando a princesa ficou adulta, declarou que não queria que ninguém a
pedisse em casamento. Ela escolheria seu marido.
— Além
do mais, não me casarei com nenhum homem que tenha qualquer mancha na pele, por
menor que seja — afirmou Ilâmbe.
Apesar de seu pai não concordar
com tal desejo, não a proibiu.
Começaram a surgir pretendentes
que se apresentavam ao rei dizendo:
— Desejo
me casar com sua filha Ilâmbe. Mborakinda sempre respondia:
— Você
deve falar com ela diretamente.
Então o rapaz ia comunicar suas
intenções à princesa:
— Vim
pedi-la em casamento.
A resposta de Ilâmbe era sempre a
mesma:
— Você
tem uma pele lisa, sem nenhuma mancha sequer?
Se a resposta fosse afirmativa, a
princesa acrescentava:
— Preciso
ver por mim mesma. Venha ao meu quarto.
E lá o homem se despia
completamente. Se durante esse exame Ilâmbe encontrasse uma pinta ou cicatriz,
por menor que fosse, apontava para a marca e dizia:
— Você
tem uma mancha aqui! Não me casarei com você! Quando o pretendente tentava
argumentar, explicando que sua pele era completamente lisa, exceto por aquela
marca, a princesa o interrompia:
— Não!
Mesmo que seja uma mancha minúscula, não me casarei com você!
E assim todos eram rejeitados,
pois ela sempre encontrava alguma cicatriz ou qualquer erupção na pele. Após
tantas recusas, a fama da linda filha do rei Mborakinda, que não aceitava
nenhum pretendente por conta de manchas na pele, chegou a outros países.
Mesmo assim, muitos queriam desposá-la. Alguns
animais chegavam a se transformar e assumir uma forma humana, mas também eram
rejeitados.
O Leopardo ficou sabendo da
reputação da princesa e disse:
— Ah,
essa linda mulher! Ouvi dizer que é linda e que ninguém consegue conquistá-la.
Também farei minha tentativa, mas antes vou consultar RaMarânge.
Foi visitar o médico feiticeiro e
lhe contou tudo sobre a linda filha do rei Mborakinda que não aceitava ninguém
por ser tão criteriosa com seus pretendentes.
— Eu
já estou muito velho e não faço mais feitiços — disse Ra-Marânge. — Vá falar
com Ogula-ya-mpazya-vazya. E assim o Leopardo fez. O feiticeiro Ogula fez seu
ritual de sempre: pulou em uma fogueira e saiu de lá em transe. Então perguntou
ao Leopardo qual era seu desejo. Njĕgâ contou toda a história novamente e pediu
para ter um corpo humano sem nenhuma mancha. Ogula preparou uma poção poderosa,
que o transformaria em um homem alto, elegante, forte e perfeito. O Leopardo
voltou à sua aldeia e contou seus planos a seu povo. Também preparou o corpo de
seus familiares para transformações, caso necessário.
Após adotar um nome humano —
Ogula — o Leopardo foi falar com o rei:
— Desejo
me casar com sua filha Ilâmbe.
A chegada de Ogula na corte de
Mborakinda impressionou a todos que, admirados com sua beleza, exclamaram:
— Vejam
que homem lindo! Que belo rosto e que porte!
Após fazer o pedido ao rei, Ogula
recebeu a resposta padrão: que fosse conversar diretamente com a princesa para
saber se ela gostaria. Quando chegou à casa de Ilâmbe, ela ficou imediatamente
encantada com sua beleza.
— Eu
te amo. Estou aqui para me casar com você — disse Ogula. — Você já rejeitou
muitos, e sei o motivo, mas acredito que ficará satisfeita comigo.
— Imagino
que já tenham contado a razão de minhas recusas — respondeu a princesa. — Verei
se você tem o que eu quero. Entraremos no quarto e você me mostrará sua pele.
Dentro do quarto, Ogula-Njĕgâ retirou suas roupas refinadas e Ilâmbe o examinou
meticulosamente dos pés à cabeça. Não encontrou um único arranhão. A pele de
Ogula
parecia a de um bebê.
— Sim!
Encontrei meu homem! — exclamou Ilâmbe.
— Eu te amo e me casarei com
você.
Estava tão animada que continuou
examinando a bela pele de seu noivo por mais alguns minutos. Então saiu e pediu
a seus criados que trouxessem comida e água para ele. Ogula continuou na casa
por alguns dias, sem vontade de voltar à sua cidade natal, pois se sentia amado
por Ilâmbe.
No terceiro dia, Ogula foi dizer
ao rei Mborakinda que queria levar Ilâmbe para morar com ele. O rei consentiu.
Enquanto o leopardo transformado
em homem estava no palácio, o feiticeiro do rei previu que algo de ruim adviria
desse casamento. No entanto, como a princesa fazia questão de escolher seu
marido, o rei não interveio.
Após o fim da cerimônia e do
banquete, o rei Mborakinda chamou sua filha para conversar:
— Ilâmbe,
minha filha, você agora começa sua jornada.
— Sim,
pois amo meu marido.
— Ama
mesmo? — perguntou seu pai.
— Sim.
— Então
lhe darei seu ozendo[1].
O rei deu a ela alguns presentes
e disse:
— Vá
até aquela casa — e apontou um local na cidade, entregando-lhe uma chave — e,
ao chegar lá, abra a porta.
Era o lugar onde o rei guardava
seus encantamentos de guerra e outras poções.
— Ao
entrar, verá dois kabala[2]
lado a lado — continuou o rei. — Pegue o que estiver olhando para o chão com um
olhar perdido e deixe lá o que tem um aspecto mais vivaz. Você notará que o que
você deve pegar manca um pouco. Mesmo assim, ele é o correto.
— Mas
pai, por que não posso pegar o cavalo mais saudável e deixar o fraco? —
argumentou Ilâmbe.
— Não!
Pegue o que estou mandando — respondeu o rei, com um sorriso enigmático.
A recomendação do rei Mborakinda
não era sem motivo. O cavalo com melhor aspecto era apenas bonito. O outro
poderia salvá-la com sua inteligência, caso necessário.
Ilâmbe apanhou o cavalo indicado
por seu pai e voltou para o palácio. Estava tudo preparado para sua viagem. O
rei ordenou que alguns criados a acompanhassem, para carregar a bagagem e
ajudá-la a se adaptar à nova cidade. Os recém-casados se despediram e partiram,
ambos montados no Kabala. A viagem durou muitos dias. Ogula-Njĕgâ, mesmo sob a
forma humana, ainda possuía os mesmos instintos e gostos — estava há muitos
dias sem comer carne crua. Ao passarem pela floresta onde havia animais
selvagens, sua sede de sangue se intensificou. Chegaram a uma grande planície
que terminava em outra floresta. Antes de atravessarem o campo aberto, seu
desejo por caça ficou incontrolável e disse a Ilâmbe:
— Minha
esposa, espere aqui com o Kabala e seus criados enquanto vou na frente. Volto
logo.
Entrou na floresta e voltou a
assumir a forma de leopardo. Capturou um pequeno animal e o devorou, depois
mais outro. Satisfeito, lavou suas patas e boca em um riacho, voltou à forma
humana e retornou para onde estava sua esposa.
Ilâmbe olhou-o atentamente e
notou nele uma expressão dura e estranha.
— Onde
você esteve? O que fez? — perguntou ela. Ele deu uma desculpa qualquer e
continuaram.
No dia seguinte, fez a mesma
coisa. Pediu para que esperasse em determinado lugar enquanto adentrava a flo-
resta. Voltou a ser leopardo e caçou novamente. Ilâmbe não fazia ideia do que
estava acontecendo. O Cavalo sabia e revelaria mais tarde que era capaz de
falar, mas ainda não era o momento oportuno.
A viagem continuou dessa forma
até chegarem à cidade do Leopardo. Como já previamente preparado, sua mãe e
outros moradores também haviam assumido uma forma humana para receber Ilâmbe.
No entanto, o casal não ficou muito tempo em companhia deles, pois ficaram cada
um em sua casa. Nos primeiros dias, Ogula tentou ser o mais
amável possível com Ilâmbe, para
que ela não suspeitasse de nada, mas sua sede de sangue não o abandonava.
Passou a inventar desculpas para se ausentar:
— Tenho negócios a resolver em
outra cidade.
E saía para caçar como leopardo,
voltando tarde da noite. Isso se repetia frequentemente.
Depois de algum tempo, Ilâmbe
decidiu iniciar uma plantação e ordenou que seus criados homens limpassem o
terreno escolhido. Ogula-Njĕgâ se escondia na floresta ao redor da lavoura para
capturar e comer algum dos trabalhadores. O grupo sempre voltava com um criado
a menos. Um a um, todos os servos foram desaparecendo. Ninguém além do Leopardo
e seus familiares sabia o que se passava. Certa noite, em suas andanças de
caça, Ogula-Njĕgâ encontrou uma dama de companhia de sua esposa e a devorou.
Foi a primeira serviçal mulher a
desaparecer.
Algumas das vezes em que o
Leopardo se ausentava, Ilâme sentia-se solitária e ia olhar Kabala. Com o
desaparecimento da criada, o cavalo achou que era hora de se pronunciar sobre o
que acontecia. A princesa acariciava sua crina quando ele disse:
— Ah,
Ilâmbe, você não percebe o perigo vindo em sua direção.
— Que
perigo? — perguntou a princesa.
— Que
perigo? Se seu pai não tivesse me enviado junto com você, o que aconteceria? —
perguntou o Cavalo. — O que acha que aconteceu com seus criados? Você não sabe,
mas eu sei. Pensa que simplesmente desapareceram? Pois então saiba o que
aconteceu: seu marido os devorou! Por isso sumiram. A princesa não acreditou em
suas palavras e contestou:
— Por
que ele faria isso?
— Se
você duvida, espere até todos os criados desaparecerem.
Duas noites mais tarde, mais uma
dama de companhia sumiu. Algum tempo depois, Ogula-Njĕgâ saiu para caçar, com a
intenção de, caso não apanhasse nenhum animal, devorar sua esposa.
Ilâmbe se sentiu solitária e foi
até o estábulo ver seu cavalo.
— Eu
não avisei? A última criada sumiu. Você será a próxima — advertiu ele. — Darei
um conselho. Fique pronta para fugir esta noite, assim que a oportunidade
surgir. Encha uma cabaça com amendoins, outra com sementes de cabaceira e uma
terceira com água. Traga-as para mim, eu as usarei na hora certa. A mãe do
Leopardo passava pela rua e ouviu a conversa.
“Por que Ilâmbe conversa com o
Cavalo como se ele fosse gente?”, pensou ela, mas não comentou nada com sua
nora.
Ogula-Njĕgâ voltou ao cair da noite. Não disse
nada, mas estava com uma expressão séria. Ilâmbe estava inquieta e o olhar de
seu marido a amedrontava. Mais tarde, quando estavam prestes a ir dormir, ela
perguntou:
— Por
que você está com essa cara? Está bravo com alguma coisa?
— Não,
não estou. Por que pergunta?
— Porque
você parece estar incomodado com algo.
— Não,
está tudo bem — respondeu ele. — Preocupações comuns. Amanhã tenho de acordar
cedo.
Ogula-Njĕgâ, incomodado com as
suspeitas de sua esposa, decidiu não matá-la naquela noite e esperar até o dia
seguinte. Ilâmbe não conseguiu dormir. O Leopardo saiu logo cedo, dizendo que
tinha coisas a resolver, mas que voltaria logo. Enquanto seu marido estava
fora, a princesa sentiu-se solitária e foi conversar com o cavalo, que
considerou aquele o momento ideal para fugirem. Partiram imediatamente, sem
avisar ninguém da aldeia e levaram consigo as três cabaças. Não podiam perder
tempo, disse o Cavalo, pois quando o Leopardo descobrisse, iria atrás deles a
toda velocidade. Kabala corria o mais rápido que podia, olhando para trás de
vez em quando para averiguar se não estavam sendo seguidos.
Depois de algum tempo, Ogula-Njĕgâ voltou da
aldeia e, ao chegar em casa, não encontrou Ilâmbe. Chamou sua mãe e perguntou
sobre sua esposa.
— Eu
vi Ilâmbe conversando com o Kabala dela — respondeu a mãe. — Já faz dois dias
que estão falando um com o outro.
O Leopardo saiu à procura deles e
encontrou suas pegadas.
— Que
vergonha! — gritou. — Minha esposa fugiu!
Mas eu a encontrarei ainda hoje.
No mesmo instante transformou-se
novamente em leopardo e saiu em disparada. Demorou algum tempo até que os
fugitivos notassem seu perseguidor. Kabala, ao virar a cabeça, viu o Leopardo
se aproximando em saltos rápidos que faziam seu corpo se esticar rente ao chão.
— Eu
não avisei? Ele está atrás de nós! — o Cavalo gritou ofegante, com espuma
pingando de sua boca.
Quando o Leopardo chegou mais
perto, Kabala pediu para Ilâmbe pegar a cabaça com amendoins e espalhá-los pelo
chão. Ogula-Njĕgâ, ao ver os amendoins, parou para comê-los. Com isso, o Cavalo
conseguiu ganhar distância sobre seu perseguidor. Logo o felino já havia
retomado a corrida e se aproximava dos dois. O Cavalo então pediu para Ilâmbe
jogar
as sementes de cabaceira. Mais uma vez, o
Leopardo parou para comê-las e os fugitivos abriram vantagem novamente. Após
terminar de comer, o Leopardo voltou a persegui-los aos saltos e se aproximou
novamente. Kabala mandou que Ilâmbe atirasse a terceira cabaça no chão com
força, para que ela se quebrasse com o impacto. Assim o fez. A água que estava
dentro da cabaça se transformou em um grande e largo rio, criando uma barreira
entre eles e o Leopardo. Sem saber o que fazer, Njĕgâ gritou:
— Ilâmbe!
Que vergonha! Ah, se eu conseguisse te pegar! — e foi embora.
— Não
sabemos o que ele vai fazer agora — disse o Cavalo. — Talvez ele dê a volta
para nos surpreender. Há uma cidade aqui perto, o melhor a fazer é ficarmos lá
um ou dois dias para tentar despistá-lo.
E acrescentou:
— Mulheres
não são permitidas nessa cidade. Por isso, eu transformarei seu rosto e você se
vestirá como um homem. Tenha muito cuidado durante os banhos. Se descobrirem
seu disfarce, lhe matarão.
Ilâmbe concordou e Kabala mudou
sua aparência. Os moradores se impressionaram ao ver aquele belo homem entrando
na aldeia.
— Vejam,
um forasteiro! Olá, estranho! Como encontrou o caminho até aqui?
— Por
acaso — respondeu a jovem. — Estava cavalgando e encontrei uma trilha que me
trouxe até aqui.
Foi convidada a uma das casas,
onde foi acolhida e informada sobre os horários das refeições e outras
atividades. No segundo dia, ao andar pela cidade, os homens comentaram:
— Ele
se porta como uma mulher!
— Sério?
Você acha mesmo?
— Sim!
Eu vi claramente — tornou o primeiro.
Os problemas de Ilâmbe não
terminariam aí. Os homens queriam confirmar suas suspeitas e disseram a ela:
— Amanhã
vamos todos ao rio tomar banho e você virá conosco.
A princesa foi perguntar a Kabala
o que fazer.
— Avisei
para que tomasse cuidado! — repreendeu ele. — Mas não se preocupe,
transformarei todo seu corpo no de um homem.
Durante a noite, Kabala a
transformou e a advertiu novamente:
— Vou
avisar mais uma vez. Amanhã, durante o banho com os outros, você pode se
despir, pois está com o corpo de um homem. Mas é apenas temporário. Ficaremos
aqui apenas mais um dia e uma noite, depois partiremos.
Na manhã seguinte, após todos cumprirem suas
atividades, foram tomar banho. Ao chegarem ao rio, os aldeões estavam ansiosos
para comprovar se o forasteiro era na verdade uma mulher, mas, ao admirarem seu
belo corpo, perceberam seu engano. Ao saírem da água, um deles disse ao
acusador de Ilâmbe:
— Como
pôde dizer que era uma mulher? Veja que homem forte ele é!
Ilâmbe, transformada em homem,
irritou-se ao ouvir aquilo e gritou:
— Você
pensou que eu fosse uma mulher? — disse ela ao perseguir e estapear seu
difamador.
Todos voltaram à cidade.
Naquela noite, o Cavalo falou
para Ilâmbe:
— Eis
o que você deve fazer amanhã: logo cedo, pegue seu revólver e me mate. Ao ouvir
o disparo, os homens virão acusá-la de ter me matado sem razão. Não responda e
não diga nada a eles. Corte-me em pedaços e os atire no fogo. Depois, bem cedo
na manhã seguinte, antes de todos acordarem, recolha as cinzas cuidadosa- mente
e espalhe-as na entrada da aldeia. Você verá o que vai acontecer.
A jovem fez conforme ordenado. Após espalhar
as cinzas, ela imediatamente se viu novamente como mulher e montada em seu
cavalo. Partiram no mesmo instante.
Naquele dia, à tarde, chegaram à
cidade do rei Mborakinda. Uma vez lá, contaram (ou melhor, o Cava- lo contou)
tudo o que havia acontecido. Ilâmbe se sentia envergonhada por todos os apuros
que sua exigência por um marido de pele lisa havia lhe causado.
— Ilâmbe,
minha filha, veja os problemas que você causou a si mesma — disse o rei. — Para
você, uma mulher, fazer tal exigência foi um exagero. Se eu não tivesse enviado
Kabala com você, o que teria acontecido?
Todo o povo deu as boas-vindas a
Ilâmbe, que voltou para sua casa e nunca mais falou nada sobre peles lisas.
ROBERT HAMILL NASSAU
Em Contos
Folclóricos Africanos Vol. 1
MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)
A vaidade e a exigência exagerada podem levar ao perigo.
A princesa Ilâmbe, ao insistir em
um marido “de pele lisa”, ignorou o valor interior e quase foi devorada por um
leopardo disfarçado.
A obediência aos mais velhos é
proteção.
O rei Mborakinda sabia que a
filha poderia cair em perigo e, por isso, lhe deu o cavalo mágico. Ouvir a
experiência dos mais velhos é um princípio fundamental das culturas africanas.
A verdadeira força está na
sabedoria, não na aparência.
O cavalo manco, aparentemente
frágil, mostrou-se a chave da salvação, lembrando que a inteligência e a
lealdade valem mais do que a beleza externa.
Os dons da comunidade e da
natureza são meios de sobrevivência.
As cabaças com água, amendoins e
sementes não eram apenas objectos, mas recursos ligados à tradição africana,
mostrando que a vida é sustentada pelo equilíbrio entre humanidade, natureza e
espiritualidade.
Interpretação no contexto
africano
Nos contos africanos, os animais
muitas vezes representam forças ocultas ou perigos camuflados; o leopardo é
símbolo de astúcia e de ameaça escondida sob aparências atraentes.
O casamento, tema central,
reflete não só a união conjugal, mas também a escolha responsável que impacta
toda a comunidade.
A narrativa reforça valores
africanos como: respeito à palavra do ancião, cautela diante das aparências e
confiança nos aliados humildes e fiéis.
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