NARRAÇÃO

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

26 - O MACACO E A LUA NO POÇO

 

Provérbio: “Nem tudo o que brilha é para ser tocado.”

 

Numa noite clara de lua cheia, a floresta parecia encantada. Os galhos das acácias estendiam-se como braços protetores, e o rio corria lento, refletindo as estrelas. O macaco Kibonge, sempre curioso e travesso, pulava de árvore em árvore, brincando com sua própria sombra.

De repente, ao espiar um velho poço de pedra, viu algo que o deixou sem fôlego: a lua brilhava dentro da água.
— Ah! — exclamou. — Finalmente encontrei o tesouro dos céus!

Para Kibonge, que vivia correndo atrás de novidades, aquilo parecia um presente dos deuses.

Sem pensar duas vezes, começou a gritar:
— Amigos! Venham rápido! A lua caiu! A lua é nossa!

Logo chegaram outros macacos: Ndala, Kassoma, Lembi e até a velha macaca Makiesse, que raramente saía do tronco onde descansava. Todos olharam para dentro do poço e viram o reflexo prateado dançando na água.

— É verdade! — gritaram em coro. — A lua está aqui!

A excitação foi geral. Alguns já falavam em como seriam donos da noite, outros em como usariam a lua para iluminar a floresta sem medo dos leopardos.

Kibonge, com os olhos brilhando de ambição, declarou:
— Vamos tirá-la do poço. Hoje a floresta será nossa!

Os macacos formaram uma escada viva. Um sobre os ombros do outro, desceram com gritos e risadas. O mais ágil era sempre Kibonge, que descia por último.

No fundo do poço, a água cintilava. Kibonge esticou o braço, acreditando que em segundos teria a lua em suas mãos. Mas, ao tocar, o reflexo se partiu em mil pedaços.

Ele tentou de novo, mergulhando as mãos na água. Nada. Apenas respingos e ondas que deformavam a luz.

— Segurem firme! — gritou Kibonge, mergulhando até a barriga. Mas ao se agitar, escorregou das costas do amigo que o sustentava, e todos os macacos desmoronaram num grande estrondo.

A floresta inteira ecoou com o barulho da queda.

Molhados, machucados e cobertos de lama, levantaram-se gemendo. A lua continuava intacta no céu, rindo lá do alto.

A velha Makiesse, abanando a cabeça, disse:
— Vocês são jovens demais. Não percebem que a lua nunca caiu? O que viram era apenas o reflexo na água.

Os outros macacos ficaram em silêncio. Kibonge, com o rosto envergonhado, olhou para o céu e compreendeu: a lua estava distante, intocável, sempre acima das suas ambições.

Desde esse dia, Kibonge deixou de acreditar em tudo que brilhava de repente. Aprendeu a observar melhor, a esperar, a perguntar.

E quando contava essa história aos mais novos, sempre dizia:
— O poço pode mostrar a lua, mas nunca te dará a lua.

A floresta inteira aprendeu com os macacos: nem tudo o que parece tesouro é realmente riqueza.

 

MORAL DA HISTÓRIA

Este conto revela a importância de discernimento e paciência na vida real.

  • Nas aparências sociais: muitas vezes nos iludimos com pessoas que parecem brilhantes, mas que escondem falsidade ou intenções egoístas.
  • No consumo: a sociedade moderna cria reflexos como o poço — roupas da moda, promessas de riqueza rápida, vícios disfarçados de prazer — mas nada disso sustenta a alma.
  • Na política: povos podem ser enganados por líderes que oferecem “luas no poço”, discursos bonitos mas vazios, que se desfazem ao primeiro mergulho.
  • Na vida amorosa: confundir paixão passageira com amor verdadeiro é como tentar segurar a lua na água — acabamos molhados, machucados e de mãos vazias.

O ensinamento é claro: antes de mergulhar, observa. Antes de acreditar, questiona. O brilho verdadeiro é aquele que não se desfaz com o toque, mas que resiste ao tempo e ilumina mesmo à distância — como a lua no céu.

Assim, aprendemos que sabedoria é saber distinguir entre o reflexo enganoso e a verdadeira luz.


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