NARRAÇÃO

domingo, 31 de agosto de 2025

29 - O ELEFANTE, ESCRAVO DO COELHO

 

Uma vez, o Coelho andava a passear e encontrou um grande ajuntamento de animais sentados à sombra de uma árvore. Cheio de curiosidade, quis logo saber do motivo daquela reunião e perguntou:

—Então o que é que se passa? Que novidades há por aqui? Um dos animais explicou:

—Trata-se de um milando e estamos à espera do Elefante, o nosso chefe, para o resolver.

—O quê?... O quê?... O Elefante vosso chefe? — perguntou o Coelho, franzindo a testa. E continuou:

—O Elefante não é chefe nenhum! O Elefante é meu escravo e leva-me sempre às costas a qualquer parte que eu queira!

Alguns do grupo admiraram-se:

—Como pode o Elefante ser teu escravo se tu és tão pequeno?

—O ser pequeno nada tem a ver com o meu valor — replicou o Coelho. E, em tom autoritário, acrescentou:

—Já vos disse e torno a dizer que o Elefante não é chefe, é meu escravo, e por isso, vocês podem ir embora daqui, que nesta coisa de resolver milandos ele não tem nada que se meter. Dito isto, o Coelho dirigiu os passos para sua casa e muitos dos animais foram-se também embora dali por terem acreditado nas suas palavras.

Algum tempo depois, chegou o Elefante e perguntou:

—Então onde estão os outros que aqui faltam? Atrasaram-se na viagem?

—Não! — explicaram-lhe os poucos animais que lá tinham ficado. — Os que aqui faltam foram-se embora há pouco tempo, porque passou neste lugar o Coelho e disse-nos que tu, Elefante, não és chefe, mas sim, um escravo dele.

O Elefante tremeu todo de indignação e, muito furioso, resmungou:

—Ah, Coelho malandro! Coelho vigarista!... Deixa lá que, hoje mesmo, me darás conta de palavras tão injuriosas e tão vis!...

Entretanto, o Coelho chegou a casa e fingiu-se doente. A mulher, cheia de pena, foi estender uma esteira e o Coelho deitou-se nela.

Daí a momentos chegou a Impala, que era cunhada do Coelho, avisando-o de que o Elefante já se aproximava para lhe fazer mal. E, transmitido o recado, retirou-se.

O Coelho, manhoso, entrou então em grandes convulsões, soltando, ao mesmo tempo, gemidos tão lastimosos que era mesmo de partir o coração.

Chegou o Elefante que se pôs a roncar, muito mal disposto:

—Ó Coelho, ó malandro, salta depressa cá para fora, que tens de me acompanhar. O Coelho murmurou, a gemer e entrecortando as palavras:

—Oh! Por... fa... vor! Des... cul... pe-me... porque eu... não... es...tou... bom!... dói-me mui...to... o cor... po to...do! Isto foi... um mal que me deu de re... pen... te...

—Não quero saber! Seja como for, tens de vir comigo ao lugar onde estão reunidos os outros animais, porque ouvi dizer que tiveste o descaramento de enxovalhar o meu título de chefe e de dizer que eu sou teu escravo — replicou o Elefante.

 —Tens to... da a ra... zão... mas o cer... to é que eu... não aguen... to ca... mi... nhar... para te po... der... acom... pa... nhar!

—Já te disse, tens de vir comigo, custe o que custar, mesmo que eu tenha de te levar às costas — ordenou o Elefante.

—Então só se for desse mo... do, mas fi... ca... sa... ben... do que mes... mo assim a via... gem me vai ser muito... pe... no... sa.

E, logo a seguir, chamou a mulher e disse, chorosamente:

—Dá cá a minha ca... mi... sa nova. Hi... Hi... Hi... Hi... vai tam... bém bus... car as minhas cal... ças no... vas. E, depois:

—Já a... go... ra, traz tam... bém os meus sa... pa... tos no... vos! É que po... de a... con... te... cer que eu morra e, ao me... nos, que... ro morrer com os meus tra... jes mais ricos.

Uma vez o Coelho vestido e calçado, o Elefante abaixou-se e o Coelho saltou-lhe para as costas, onde se instalou muito bem instalado.

Estava um calor de rachar pedras. Antes de partir, o Coelho gritou para a mulher:

—Ó mulher, dá-me cá a sombrinha porque está muito calor... e posso agravar os meus males com alguma insolação.

O Elefante, em grandes e rápidas passadas, pôs-se a caminho da reunião. Quando se aproximavam do lugar, o Coelho, deixando de fingir que estava doente, ensaiou uma atitude de pessoa importante e esboçou um sorriso feliz.

Os outros animais ao verem o Coelho assim todo solene e bem apresentado, às costas do Elefante, começaram todos com grandes exclamações:

—Olha! Olha!... Sempre é verdade o que o Coelho dizia. O Elefante é escravo dele... pois que o traz às costas.

Quando o Elefante parou, o Coelho deu um salto, muito ágil e elegante, para o chão e, tomando a palavra, dirigiu-se assim aos outros animais:

—Estão a ver?... Estão a ver?... Eu não vos dizia que o Elefante é o meu escravo? Todos os animais presentes romperam em grande gritaria, clamando:

—É verdade, sim senhor, é verdade. Tu, Elefante, não és chefe nenhum!... És escravo do Coelho pois o carregas às costas.

O Elefante só então deu pelo acto de estupidez que cometera e, cheio de vergonha, desandou dali para fora.

 

Fonte: Contos Moçambicanos: INLD, 1979

 Este conto, “O Elefante, Escravo do Coelho”, é de origem moçambicana, transmitido pela tradição oral e registrado em coleções de contos africanos. Faz parte do ciclo de fábulas em que animais antropomorfizados são usados para ensinar lições sobre astúcia, autoridade e manipulação social. (grifo nosso)

 

 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

O conto ensina quatro lições importantes:

 1. A inteligência supera a força.

O Coelho, pequeno e aparentemente frágil, consegue enganar o Elefante e toda a comunidade usando astúcia e habilidade estratégica. Nas culturas africanas, a esperteza e a sagacidade podem permitir que os mais fracos contornem os mais fortes.

2. A aparência pode enganar.

O Coelho finge doença e sofrimento para manipular a percepção dos outros animais. O conto mostra que nem sempre a realidade é como parece; é preciso questionar e observar atentamente.

3. O prestígio social depende da percepção coletiva.

Quando os animais veem o Elefante carregando o Coelho, acreditam que o Coelho é superior. Isso simboliza que, em sociedades africanas, a reputação e o respeito muitas vezes se constroem por ações e aparências, não apenas por força ou tamanho.

4. A sagacidade é uma ferramenta de sobrevivência e influência.

O Coelho transforma uma situação arriscada em vantagem, mostrando que o uso inteligente de recursos e da situação é uma habilidade valorizada para manter prestígio e segurança.

 Em resumo: A moral é que astúcia, criatividade e percepção social podem superar a força física; a inteligência e a estratégia são ferramentas poderosas para alcançar objetivos e proteger-se de adversidades.

28 - O GATO E O RATO


O Gato e o Rato tornaram-se amigos. Um dia combinaram fazer uma viagem a uma terra distante. Pelo caminho tinham de atravessar um rio.

—Por onde passaremos? — perguntou o Gato — O rio leva muita água. O Rato respondeu:

—Não faz mal. Fazemos um barco.

O Gato concordou e logo ali os dois colheram uma grande raiz de mandioca e fizeram um barco com ela. Meteram o barco na água, entraram para ele e começaram a atravessar o rio. Pelo caminho começaram a ter fome e repararam que não tinham levado comida. O Gato perguntou então:

—O que é que nós havemos de comer?

—Não te preocupes, amigo Gato, porque podemos comer o nosso próprio barco.

E os dois começaram a comer o barco. O Gato pouco comeu porque a mandioca não lhe sabia bem, mas o Rato comeu, comeu, comeu até que acabou por furar o barco, que foi ao fundo. O Gato e o Rato tiveram que nadar até à margem, mas, enquanto o Rato nadava bem e depressa, o Gato que mal sabia nadar, só com muita dificuldade e muito envergonhado é que conseguiu chegar a terra. O Gato olhou então para o Rato e viu que ele estava com a barriga bem cheia por causa da mandioca, enquanto ele continuava cheio de fome. Por isso lembrou-se de comer o Rato.

—Sinto muita fome, Rato. Vou ter de te comer.

—Está bem — disse o Rato espertalhão — mas olha que eu estou muito sujo. É melhor ir primeiro lavar-me. Espera aí.

O Rato afastou-se e desapareceu. O Gato ainda hoje está à espera.

 

Fonte: Contos Moçambicanos: INLD, 1979

 Este conto, “O Gato e o Rato”, é de origem angolana, conforme registrado na coletânea Contos Moçambicanos (INLD, 1979). Ele pertence ao ciclo de fábulas africanas, usando animais antropomorfizados para ensinar lições sobre esperteza, prudência e sobrevivência. (grifo nosso)

 

 

 MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

 

A astúcia supera a força.

O Rato, menor e aparentemente mais frágil, conseguiu enganar o Gato usando inteligência e truques simples. A história ensina que mesmo os menores ou aparentemente insignificantes podem encontrar soluções engenhosas.

Nas culturas africanas, a esperteza é valorizada como ferramenta de sobrevivência, especialmente quando o indivíduo é mais fraco fisicamente.

O Rato antecipou o perigo de ser comido e se afastou astutamente. Isso reflete o princípio de pensar antes de agir e proteger a própria vida com prudência.

Ao transformar a raiz de mandioca em barco e depois “comê-lo” quando tiveram fome, os personagens mostram que adaptabilidade e criatividade são fundamentais para enfrentar dificuldades.

 Portanto, a moral africana é que esperteza, prudência e criatividade podem salvar a vida diante de adversidades e de inimigos mais fortes. A inteligência vale mais do que a força bruta.

 

27 - O CARACOL E A IMPALA


Uma Impala, muito vaidosa da sua agilidade e da rapidez com que corria, encontrou um Caracol e começou a fazer pouco dele:

—Ó Caracol, tu não és capaz de correr. Que vergonha, só és capaz de te arrastar pelo chão. O Caracol, que era esperto, resolveu enganar a Impala. Por isso desafio-a:

—Vem cá no próximo domingo e vamos fazer uma corrida por esta estrada, desde aqui até ao rio.

—Uma corrida comigo? — perguntou, espantada, a Impala. — Está bem, cá estarei.

E afastou-se a rir, pensando que o Caracol era maluco por querer correr com ela. O Caracol, entretanto, como tinha ido à escola e sabia ler e escrever, escreveu uma carta a todos os caracóis amigos dele que moravam ao longo da estrada até ao rio. Nessa carta ele dizia aos amigos para, no domingo, estarem junto à estrada e, quando passasse a Impala, se ela chamasse pelo Caracol, eles responderem: "Cá estou eu, o Caracol." No domingo, a Impala encontrou-se com o Caracol e, a rir muito, disse-lhe:

—Vamos lá então correr os dois e ver quem chega primeiro ao rio.

O Caracol deixou-a partir a correr e escondeu-se num arbusto. A Impala corria e, de vez em quando, gritava:

—Caracol, ó Caracol, onde é que tu estás?

E havia sempre um dos amigos do Caracol que estava ali perto e respondia:

—Cá estou eu, o Caracol.

A Impala, que julgava ser sempre o mesmo Caracol que ia a correr com ela, corria cada vez mais, mas havia em todos os momentos um Caracol para responder quando ela chamava. De tanto correr, a Impala acabou por se deitar muito cansada e morrer com falta de ar. O Caracol ganhou a aposta porque foi mais esperto que a Impala e tinha ido à escola junto com os outros caracóis e todos sabiam ler e escrever. Só assim se puderam organizar para vencer a Impala.

 

Fonte: Contos moçambicanos: INLD, 1979

  Este conto, “O Caracol e a Impala”, é de origem moçambicana, conforme registrado na coletânea Contos Moçambicanos (INLD, 1979). Ele integra o género de fábulas africanas, em que animais antropomorfizados ensinam lições sobre astúcia, inteligência coletiva e humildade. (grifo nosso)

 

 

 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

Este conta ensina quatro lições importantes:

 

1. A inteligência e a estratégia superam a força e a velocidade.

A Impala confiava apenas na sua agilidade, enquanto o Caracol usou engenho e planeamento colectivo para vencer. Na tradição africana, o cérebro e a cooperação podem superar limitações físicas.

A humildade é mais valiosa do que o orgulho.

A Impala, por se achar superior, subestimou o Caracol e acabou derrotada. A história mostra que o orgulho e a vaidade podem levar à queda, enquanto a humildade permite agir com cautela e sabedoria.

2. A cooperação gera sucesso.

O Caracol só conseguiu vencer porque mobilizou os seus amigos. Isto simboliza que a união da comunidade é essencial para atingir objetivos que um indivíduo sozinho não conseguiria, princípio central em muitas culturas africanas.

3. Educação e conhecimento transformam limitações em vantagens.

O Caracol sabia ler e escrever, o que lhe permitiu organizar os amigos e enganar a Impala. A história valoriza o aprendizado e a preparação como ferramentas de superação.

 Em resumo: A moral africana é que a inteligência, a humildade, a cooperação e o conhecimento coletivo podem superar a força e a arrogância. A vitória não é do mais rápido, mas do mais esperto e organizado.

26 - O CÁGADO E O LAGARTO


Num ano em que havia pouca comida, o Cágado pegou no dinheiro que tinha economizado e foi a Nanhagaia onde comprou um saco de milho.

Quando voltava para casa, viu, a certa altura, um tronco de árvore atravessado no caminho. Como não conseguia passar por cima dele, atirou o saco de milho para o outro lado e depois foi dar a volta.

Quando estava a dar a volta, ouviu uma voz a gritar:

—Viva, viva, tenho um saco de milho que caiu lá de cima.

Era o Lagarto, que segurava o saco que o Cágado tinha atirado. O Cágado protestou:

—Não. O saco é meu. Comprei-o agora e vou levá-lo para casa.

O Lagarto não quis ouvir nada e levou o saco para casa dele, dizendo:

—Eu não o roubei a ninguém. Achei-o. Vou comer o milho porque encontrei o saco.

O Cágado ficou muito zangado mas não podia fazer nada. Cheio de fome, no dia seguinte foi com os filhos ver se encontrava alguma coisa para comer.

A certa altura, viram o rabo do Lagarto que saía de dentro de um buraco, só com o rabo de fora.

O Cágado agarrou no rabo e numa faca e preparou-se para o cortar. Depois de cortado, levou-o para casa e comeu-o com os filhos.

O Lagarto que, entretanto tinha conseguido sair do buraco, foi queixar-se ao responsável da aldeia:

—O Cágado cortou-me o rabo. Mande-o chamar para ele dizer por que é que me cortou o rabo. O responsável convocou o Cágado e perguntou-lhe:

—É verdade que tu cortaste o rabo ao Lagarto? O Cágado, que era muito esperto, disse:

—É verdade que eu encontrei um rabo perto de um buraco e o levei para casa para comer, mas não era de ninguém. Eu não vi mais nada senão o rabo.

—Mas o rabo era meu — gritou o Lagarto — tens de o pagar. O Cágado respondeu:

—Não, não pago. Eu fiz o mesmo que tu fizeste ontem. Tu ontem encontraste o meu saco de milho e comeste-o. Eu hoje encontrei o teu rabo e comi-o. Agora estamos pagos.

O responsável achou que ele tinha razão e mandou-os embora.

 

Fonte: Contos Moçambicanos: INLD, 1979

 Este conto, “O Cágado e o Lagarto”, é de origem moçambicana, registrado na coletânea Contos Moçambicanos (INLD, 1979). Pertence ao género de fábulas africanas, onde animais personificados ilustram lições sobre justiça, esperteza e equilíbrio social. (grifo nosso)

 

  

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

O Cágado não tinha como recuperar o saco de milho de forma convencional, mas usou a esperteza para equilibrar a situação. Na tradição africana, a inteligência prática é valorizada tanto quanto a força bruta. Mostrando que, a habilidade em resolver problemas de forma engenhosa é um recurso essencial para a vida diária.

O conto mostra que acções injustas devem ser compensadas ou equilibradas. O Cágado igualou o acto do Lagarto: quem age mal deve arcar com as consequências. Esta é uma visão africana de equilíbrio moral e social.

 Portanto, a moral africana neste conto é que a inteligência e a reciprocidade são essenciais para equilibrar injustiças; quem age mal deve arcar com as consequências, e a comunidade tem o papel de garantir que a justiça seja cumprida.

25 - O FIM DA AMIZADE ENTRE O CORVO E O COELHO


O Corvo era muito amigo do Coelho. Combinaram, um dia, que cada um deles transportasse o companheiro às costas, indo de povoação em povoação, para dar a conhecer às pessoas a amizade que os unia.

O Corvo começou a carregar o Coelho. Andou com ele às costas pelas aldeias e a gente, quando o via, perguntava-lhe:

—Ó Corvo, que trazes tu aí?

—Trago um amigo meu que acaba de chegar de Namandicha. Passou assim com ele por muitas terras.

Chegou depois a vez de ser o Coelho a carregar com o Corvo. Ao passar por uma aldeia, os moradores perguntaram-lhe:

—Ó Coelho, que trazes tu às costas?

—Ora, ora, trago penas, penugem e um grande bico _ respondeu, a troçar, o Coelho. O Corvo não gostou que o companheiro o gozasse daquela maneira, saltou logo para o chão e deixaram de ser amigos.

 

Fonte: Contos Moçambicanos: INLD, 1979

  Este conto, “O Fim da Amizade entre o Corvo e o Coelho”, é de origem moçambicana, conforme registado na coletânea Contos Moçambicanos (INLD, 1979). Pertence ao ciclo de fábulas africanas, em que animais personificados transmitem lições sobre amizade, respeito e honra.   (grifo nosso)

 

 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

Este conta ensina quatro lições importantes:

1. A amizade exige respeito mútuo.

O Corvo e o Coelho eram amigos, mas a zombaria do Coelho quebrou a confiança. Nas sociedades africanas, amizades verdadeiras dependem de respeito e consideração pelo outro.

2. O humor sem limite pode destruir relações.

O Coelho tentou ridicularizar o Corvo publicamente. O conto ensina que a provocação ou a zombaria excessiva, mesmo entre amigos, pode gerar conflito e afastamento.

3. A dignidade deve ser preservada.

O Corvo não suportou ser desrespeitado e decidiu romper a amizade. Na tradição africana, a dignidade individual e o reconhecimento do valor do outro são essenciais para manter relações duradouras.

4. As palavras têm poder.

Uma simples ironia ou troça pode destruir anos de amizade. A história reforça a ideia de que na convivência comunitária, a comunicação cuidadosa mantém a harmonia.

 Em resumo: A moral africana é que amizade verdadeira requer respeito, dignidade e cuidado com as palavras; a zombaria e a humilhação, mesmo sem intenção, podem quebrar os laços mais fortes.

 

24 - CORAÇÃO-SOZINHO

 

O Leão e a Leoa tiveram três filhos; um deu a si próprio o nome de Coração-Sozinho, o outro escolheu o de Coração-com-a-Mãe e o terceiro o de Coração-com-o-Pai.

Coração-Sozinho encontrou um porco e apanhou-o, mas não havia quem o ajudasse porque o seu nome era Coração-Sozinho.

Coração-com-a-Mãe encontrou um porco, apanhou-o e sua mãe veio logo para o ajudara matar o animal. Comeram-no ambos.

Coração-com-o-Pai apanhou também um porco. O pai veio logo para o ajudar. Mataram o porco e comeram- no os dois.

Coração--Sozinho encontrou outro porco, apanhou-o mas não o conseguia matar.

Ninguém foi em seu auxílio. Coração-Sozinho continuou nas suas caçadas, sem ajuda de ninguém. Começou a emagrecer, a emagrecer, até que um dia morreu.

Os outros continuaram cheios de saúde por não terem um coração sozinho.

 

Fonte: Contos Moçambicanos: INLD, 1979

 Este conto “Coração-Sozinho” é de origem moçambicana, transmitido pela tradição oral africana, especialmente nas regiões em que os animais são usados para ensinar lições sobre cooperação, família e sobrevivência comunitária. Ele reflete valores africanos de solidariedade e interdependência dentro do grupo familiar.  (grifo nosso)

 

  

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

 Neste conto, coração-Sozinho representa aqueles que tentam viver isolados, sem apoio familiar ou comunitário. Nas sociedades africanas, a sobrevivência depende da cooperação: ninguém cresce sozinho.

Coração-com-a-Mãe e Coração-com-o-Pai prosperam porque tiveram apoio. Isso simboliza que a ajuda mútua fortalece o grupo e garante bem-estar, princípio central das culturas africanas.

Quem se afasta da família ou da comunidade, tentando ser autossuficiente sem apoio, sofre e pode perecer. A história ensina que a interdependência é vital para sobreviver e prosperar.

O nome “Coração-Sozinho” simboliza a escolha de viver isolado. No contexto africano, a identidade está ligada ao grupo e à família, e não apenas ao indivíduo.

 Em resumo: A moral africana é que ninguém sobrevive sozinho; a cooperação, a ajuda familiar e o espírito comunitário são essenciais para a vida e para prosperar. Quem escolhe o isolamento enfrenta fragilidade e sofrimento.

23 - A HIENA E O GALA-GALA

 

A Hiena estabeleceu relações de amizade com o Gala-Gala.

Um dia, a Hiena preparou cerveja e foi chamar o seu amigo lagarto:

—Vamos beber cerveja.

Foram. O Gala-Gala embriagou-se. Perguntou à sua amiga Hiena:

— Amiga, tu que gostas tanto de carne, se me encontrares morto no caminho, és capaz de me comer?

—Não, isso nunca. Eu quero ser tua amiga. O lagarto embriagou-se muito e despediu-se:

—Amiga, vou para minha casa.

—Está bem.

O Gala-Gala partiu. A meio do caminho, deitou-se a dormir. A Hiena pensou: "O meu amigo bebeu muito. É melhor ir ver se ele chega bem a casa". Encontrou-o no caminho, deitado. Levantou-o:

—É sono, amigo? É embriaguez?

Segurou-o, virando-o. O lagarto calou-se, sem respirar. A Hiena agarrou nele e atirou-o para o mato. Depois saiu do caminho, foi ver onde é que o Gala-Gala tinha caído e encontrou-o.

—O meu amigo morreu.

Cortou lenha, fez fogo, e agarrou no lagarto para o assar na fogueira. O Gala-Gala, sentindo o calor do fogo, bateu com a cauda nos olhos da Hiena e subiu, depressa, para uma árvore.

A amizade entre eles acabou ali. O Gala-Gala passou a viver nas árvores e a Hiena continuou a andar no chão, para nunca mais se encontrarem.

  

Este conto “A Hiena e o Gala-Gala” tem origem angolana, inserido na tradição oral africana em que animais são antropomorfizados para transmitir lições morais. A hiena é frequentemente representada como astuta, gananciosa ou traiçoeira, enquanto o gala-gala (lagarto) simboliza prudência e esperteza para escapar do perigo. (grifo nosso)

 

  

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

Este conto ensina quatro lições importantes:

1. A confiança cega pode ser perigosa.

O gala-gala confiou na amizade da hiena sem suspeitar de sua natureza predadora. Em muitas sociedades africanas, ensina-se que a amizade deve ser baseada em prudência e observação, não apenas em palavras.

2. A traição destrói relações.

A hiena tentou enganar e prejudicar o amigo, quebrando a confiança. A história mostra que quem trai perde amigos e acaba isolado, reforçando o valor da lealdade nas comunidades africanas.

3. O perigo ensina prudência.

Depois do incidente, o gala-gala passou a viver nas árvores — um espaço seguro — enquanto a hiena ficou no chão. Isso simboliza que quem aprende com o erro adapta-se para sobreviver, princípio muito valorizado na sabedoria africana.

4. Natureza e instintos determinam limites.

Animais com características predatórias ou cautelosas seguem caminhos diferentes. A lição é que cada indivíduo deve respeitar limites naturais e características de outros, evitando conflitos desnecessários.

 Em resumo: A moral africana é que a amizade exige prudência e lealdade; a traição destrói relações e ensina a adaptar-se para sobreviver. O conto também explica de forma simbólica por que certos animais vivem separados (lagartos nas árvores, hienas no chão), como ensinamento da sabedoria oral africana.

22 - UMA IDÉIA TONTA

 

Um dia a hiena recebeu convite para dois banquetes que se realizavam à mesma hora em duas povoações muito distantes uma da outra. Em qualquer dos festins era abatido um boi, carne que a hiena é especialmente gulosa.

—Não há dúvida de que tenho de assistir aos dois banquetes, pois não quero desconsiderar os anfitriões. Também as oportunidades de comer carne de boi não são muitas... mas como hei-de fazer, se as festas são em lugares tão distantes um do outro?

A hiena pensou, pensou... e, de repente, bateu com a mão na testa.

—Descobri! Afinal é simples... —disse ela, muito contente com a sua esperteza.

Saiu à pressa de casa. Assim que chegou ao local donde partiam os dois caminhos que levavam aos locais das festas, começou a andar pelo caminho que ficava do lado direito com a perna direita e pelo caminho que ficava do lado esquerdo, com a perna esquerda.

Pensava chegar deste modo a ambas as festas ao mesmo tempo. Mas começou a ficar admirada de lhe custar tanto caminhar dessa maneira. E fez tanto esforço, que se sentiu dividir em duas de alto a baixo.

Coitada, lá a levaram ao médico que a proibiu, desde logo, de comer carne de boi durante um mês.

—É muito tonta a hiena!

 

Fonte: "Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999


Este conto “Uma Ideia Tonta” é de origem angolana, recolhido da tradição oral e transmitido nas aldeias como fábula moral. Ele pertence ao ciclo de narrativas africanas que usam animais antropomorfizados para ensinar lições sobre comportamento, inteligência e moderação. A hiena, tradicionalmente representada como gulosa e tola, é um personagem recorrente em fábulas do Sul e Centro de África. (grifo nosso)

 

 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

A hiena tentou estar em dois lugares ao mesmo tempo para comer toda a carne de boi, mostrando que a cobiça excessiva leva a esforços inúteis e consequências negativas.

Nas sociedades africanas, a ganância é vista como destruidora da harmonia individual e comunitária.

O conto ensina que ideias que desafiam a realidade sem lógica ou prudência levam ao fracasso e o excesso, seja de desejo ou de ambição, traz problemas. A história reforça valores africanos de equilíbrio, paciência, moderação, humildade e respeito pelos limites da própria capacidade.

Em resumo: A moral africana é que ganância, ideias absurdas e excesso de ambição levam ao fracasso; é melhor agir com prudência, moderação e bom senso, respeitando os limites da realidade.

20 - OS SEGREDOS DA NOSSA CASA

  

Certo dia, uma mulher estava na cozinha e, ao atiçar a fogueira, deixou cair cinza em cima do seu cão. O cão queixou-se:

—A senhora, por favor, não me queime!

Ela ficou muito espantada: um cão a falar! Até parecia mentira...

Assustada, resolveu bater-lhe com o pau com que mexia a comida. Mas o pau também falou:

—O cão não me fez mal. Não quero bater-lhe!

A senhora já não sabia o que fazer e resolveu contar às vizinhas o que se tinha passado com o cão e o pau. Mas, quando ia sair de casa a porta, com um ar zangado, avisou-a:

—Não saias daqui e pensa no que aconteceu. Os segredos da nossa casa não devem ser espalhados pelos vizinhos.

A senhora percebeu o conselho da porta. Pensou que tudo começara porque tratara mal o seu cão. Então, pediu-lhe desculpa e repartiu o almoço com ele.

Comentário : é fundamental sabermos conviver uns com os outros, assegurar o respeito

 

Fonte:"Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999

 

Este conto “Os Segredos da Nossa Casa” é de origem angolana, recolhido da tradição oral e transmitido como ensinamento moral nas aldeias. Ele faz parte das narrativas em que objetos e animais falam, algo muito comum no imaginário africano, para ensinar sobre convivência, respeito e a preservação da harmonia dentro do lar. (grifo nosso)

  

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

Este conto ensina-nos quatro lições importantes:

1. O lar é sagrado e deve ser preservado.

A porta lembra à mulher que os problemas da casa não devem ser levados para fora. Na tradição africana, os segredos da família pertencem à família — porque a desunião interna exposta aos outros traz vergonha e enfraquece o clã.

2. Respeito mútuo garante convivência.

O conflito começou porque a mulher tratou mal o cão, esquecendo-se de que cada ser merece respeito. Na cosmovisão africana, até animais e objectos têm espírito e merecem cuidado. O desrespeito quebra a harmonia.

3. A comunidade começa dentro de casa.

Só quando há paz no lar, há equilíbrio na comunidade. A mulher percebe que deve começar pelo respeito dentro de casa — cuidando do cão, da comida, dos objetos — antes de se preocupar com a opinião dos vizinhos.

4. Escutar antes de agir.

Tanto o pau como a porta falam para lembrar que a pressa em reagir, sem pensar, cria mais confusão. A sabedoria africana ensina que quem ouve antes de agir encontra o caminho certo.

 Em resumo: A moral deste conto, no contexto africano, é que o respeito dentro de casa é a base da convivência, e os problemas da família devem ser resolvidos em união e silêncio, sem serem espalhados fora. O lar é o primeiro espaço de harmonia da comunidade.






21 - TODOS DEPENDEM DA BOCA...

 

Certo dia, a boca, com ar vaidoso, perguntou:

—Embora o corpo seja um só, qual é o órgão mais importante? Os olhos responderam:

—O órgão mais importante somos nós: observamos o que se passa e vemos as coisas.

—Somos nós, porque ouvimos — disseram os ouvidos.

—Estão enganados. Nós é que somos mais importantes porque agarramos as coisas, disseram as mãos. Mas o coração também tomou a palavra:

—Então e eu? Eu é que sou importante: faço funcionar todo o corpo!

—E eu trago em mim os alimentos! — interveio a barriga.

—Olha! Importante é aguentar todo o corpo como nós, as pernas, fazemos.

Estavam nisto quando a mulher trouxe a massa, chamando-os para comer. Então os olhos viram a massa, o coração emocionou-se, a barriga esperou ficar farta, os ouvidos escutavam, as mãos podiam tirar bocados, as pernas andaram... mas a boca recusou comer. E continuou a recusar.

Por isso, todos os outros órgãos começaram a ficar sem forças... Então a boca voltou a perguntar:

—Afinal qual é o órgão mais importante no corpo?

—És tu boca, responderam todos em coro. Tu és o nosso rei!

 

FONTE: "Eu conto, tu contas, ele conta... Estórias africanas", org. de Aldónio Gomes, 1999

 

Este conto “Todos Dependem da Boca” tem origem moçambicana, recolhido da tradição oral e transmitido como fábula moral, típica da literatura africana que ensina através de elementos do corpo humano personificados. Ele segue o padrão das fábulas africanas, em que animais ou órgãos simbolizam lições sobre cooperação, hierarquia e interdependência. (grifo nosso)

 

  

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

Este conto ensina-nos quatro lições importantes:

1. A interdependência é fundamental.

Cada órgão representa uma função essencial, mas todos dependem da boca para se alimentar e manter a vida. Na visão africana, isso simboliza que todos na comunidade ou família têm papéis diferentes, mas cada um depende dos outros para sobreviver.

2. A liderança vem com responsabilidade.

A boca só é “rei” porque exerce a função que mantém todos vivos: alimentar-se. Isto reflete o princípio africano de que o poder ou estatuto não se baseia apenas na força ou habilidade, mas na responsabilidade e no cuidado que se exerce em benefício de todos.

3. Reconhecimento do papel de cada um.

O conto mostra que não há funções menores: cada órgão contribui, mas a harmonia depende de todos colaborarem. Na tradição africana, valorizar o esforço e o papel de cada indivíduo na comunidade é essencial.

4. A vida depende da cooperação.

Se um órgão falha ou se recusa a cumprir sua função, todo o corpo sofre. Assim, simbolicamente, na vida africana, a recusa de cooperar dentro da família ou comunidade gera desequilíbrio e sofrimento coletivo.

 Em resumo:

A moral africana é que cada membro da comunidade tem um papel essencial, mas a sobrevivência e o bem-estar de todos dependem da cooperação. A liderança responsável e o reconhecimento da função de cada um são fundamentais para a harmonia coletiva.

 

19 - O RATO E O CAÇADOR

  

Antigamente havia um caçador que usava armadilhas, abrindo covas no chão. Ele tinha uma mulher que era cega e fizera com ela três filhos.

Um dia, quando visitava as suas armadilhas, encontrou-se com um leão:

—Bom dia, senhor! Que fazes por aqui no meu território? (perguntou o leão)

—Ando a ver se as minhas armadilhas apanharam alguma coisa, respondeu o homem.

—Tu tens de pagar um tributo, pois esta região pertence-me. O primeiro animal que apanhares é teu e o segundo meu e assim sucessivamente.

O homem concordou e convidou o leão a visitar as armadilhas, uma das quais tinha uma presa uma gazela. Conforme o combinado, o animal ficou para o dono das armadilhas.

Passado algum tempo, o caçador foi visitar os seus familiares e não voltou no mesmo dia. A mulher, necessitando de carne, resolveu ir ver se alguma das armadilhas tinha presa. Ao tentar encontrar as armadilhas, caiu numa delas com a criança que trazia ao colo.

O leão que estava à espreita entre os arbustos, viu que a presa era uma pessoa e ficou à espera que o caçador viesse para este lhe entregar o animal, conforme o contrato.

No dia seguinte, o homem chegou a sua casa e não encontrou nem a mulher nem o filho mais novo. Resolveu, então, seguir as pegadas que a sua mulher tinha deixado, que o guiaram até à zona das armadilhas. Quando aí chegou, viu que a presa do dia era a sua mulher e o filho. O leão, lá de longe, exclamou ao ver o homem a aproximar-se:

—Bom dia amigo! Hoje é a minha vez! A armadilha apanhou dois animais ao mesmo tempo. Já tenho os dentes afiados para os comer!

—Amigo leão, conversemos sentados. A presa é a minha mulher e o meu filho.

—Não quero saber de nada. Hoje a caçada é minha, como rei da selva e conforme o combinado, protestou o leão.

De súbito, apareceu o rato.

—Bom dia titios! O que se passa?, Disse o pequeno animal.

—Este homem está a recusar-se a pagar o seu tributo em carne, segundo o combinado.

—Titio, se concordaram assim, porque não cumpres? Pode ser a tua mulher ou o teu filho, mas deves entregá-los. Deixa isso e vai-te embora, disse o rato ao homem. Muito contrariado, o caçador retirou-se do local da conversa, ficando o rato, a mulher, o filho e o leão.

—Ouve, tio leão, nós já convencemos o homem a dar-te as presas. Agora deves-me explicar como é que a mulher foi apanhada. Temos que experimentar como é que esta mulher caiu na armadilha (e levou o leão para perto de outra armadilha).

Ao fazer a experiência, o leão caiu na armadilha.

Então, o rato salvou a mulher e o filho, mandando-os para casa. A mulher, vendo-se salva de perigo, convidou o rato a ir viver para a sua casa, comendo tudo o que ela e a sua família comiam. Foi a partir daqui que o rato passou a viver em casa do homem, roendo tudo quanto existe...

 

 Este conto “O Rato e o Caçador” é de origem moçambicana, recolhido da tradição oral e transmitido sobretudo nas zonas rurais do país. Ele pertence ao género de fábulas africanas em que animais assumem papéis de mediadores entre os homens e as forças da natureza, trazendo sempre uma explicação para costumes ou características observáveis (neste caso, a razão pela qual o rato vive dentro das casas humanas e rói tudo). (grifo nosso)


 

MORAL DA HISTÓRIA (grifo nosso)

 1. A astúcia pode mais que a força.

O leão representa o poder bruto, que exige tributos do homem. Mas é o rato, pequeno e aparentemente insignificante, que consegue enganar o rei da selva e libertar a mulher e o filho do caçador. Em África, esta lição é clara: mesmo o fraco, com inteligência, pode vencer o mais forte.

 2. A solidariedade gera alianças.

O rato salva a vida da mulher e da criança e, em retribuição, ganha um lugar na casa da família. Esta passagem mostra um princípio africano fundamental: quem ajuda a comunidade conquista espaço e respeito nela.

 3. A ganância e o abuso de poder levam à ruína.

O leão, por exigir demasiado e querer “comer tudo”, acaba por cair na própria armadilha. É um aviso contra líderes ou pessoas que abusam da força e não respeitam limites: cedo ou tarde caem sozinhos.

 4. O conto como explicação mítica.

No fim, explica-se porque os ratos vivem nas casas humanas e roem tudo: porque receberam esse “direito” depois de terem salvo a mulher e o filho do caçador. Isto é típico da tradição oral africana — usar histórias para dar origem a costumes ou fenómenos da vida quotidiana.